''Cresci com a cidade e acho que Londrina também ganhou com os japoneses''
É com orgulho de ser londrinense e a satisfação de ser filha de japoneses, que Estela Okabayashi, a primeira nissei nascida em Londrina, consagrou-se ao longo dos seus 75 anos, como uma grande divulgadora da cultura japonesa em Londrina e região. Dedicação que a intitulou como especialista do assunto e fonte essencial no que se refere aos dekasseguis - aqueles que saem da terra natal para trabalhar em outra região ou país.
Nascida em 7 de maio de 1933, Estela se recorda com carinho das lições dadas pelos pais Tahichi e Teresa. ''Eles sempre foram estudiosos, tanto é que não vieram para o Brasil para trabalhar em lavouras. Durante anos sustentaram um comércio na rua Professor João Cândido. Mesmo dotados de boa fluência da língua portuguesa, incomum aos imigrantes, eles exigiam que eu e minha irmã, já falecida, falássemos apenas japonês dentro de casa'', lembra.
Estela diz que não chegou a frequentar a primeira escola japonesa de Londrina, fundada em 1933, porque ela foi fechada em pouco tempo, devido à 2 Guerra Mundial. ''Acabei aprendendo tudo em casa. Meu pai contratou um professor, esvaziou uma sala em casa, criou um quadro negro e as crianças tinham aulas de japonês ali. Tudo às escondidas'', conta.
Já o interesse pelo estudo da cultura japonesa se firmou quando Estela concluiu a faculdade de pedagogia, na Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba. Ela lembra que na Capital era raro ver um japonês e os poucos que haviam fundaram a UGC - União dos Gakusseis (estudantes) de Curitiba, existente até hoje. ''Era uma forma da gente se unir. Naquela época, o contato com outros descendentes foi muito importante para eu assimilar ainda mais a cultura japonesa'', conta.
Quando retornou para Londrina, começou a participar de palestras e eventos nipônicos, mas sentia necessidade de enriquecer seu conhecimento. Começou a estudar, pesquisar, ler e escrever sobre o assunto. ''Sempre fui curiosa e isso me tornou uma pessoa sem preguiça de aprender. Hoje, comecei a fazer aulas de japonês, pois o japonês que eu falo é coloquial. É até engraçado, né?.''
Com um currículo de encher páginas e páginas, Estela, que foi fundadora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da UEL, não se cansa de buscar formas para enriquecer seus conhecimentos, mesmo estando aposentada. Atualmente trabalha na Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná como diretora do Departamento de Informações e Apoio ao Dekassegui e assessora do Departamento Internacional, além de participar ativamente da programação do Imin-100 em Londrina.
E é sempre com muito gosto e boa vontade que Estela empresta um pouquinho de sua história para mostrar que Londrina realmente é uma terra de japoneses. ''Eu cresci com a cidade e acho que Londrina também ganhou com os japoneses''.

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