Para a cirurgiã-dentista Norma Nabut, membro da Associação Odontológica do Norte do Paraná, pacientes internados em UTIs devem receber cuidados especiais e constantes, ''não só para tratar o problema que o levou à internação, mas também para cuidar dos demais órgãos e sistemas que podem sofrer alguma deterioração prejudicial à sua recuperação e prognóstico''.
Conforme o cirurgião-dentista Eiji Takagi, a presença do odontólogo nos hospitais não é novidade, já que os profissionais atuam no tratamento de traumas, principalmente faciais. ''Mas dentre as várias funções do dentista, diagnosticar a presença de infecções na cavidade bucal é certamente uma das mais importantes, além de evitar complicações para o paciente'', opina.
Para o presidente do Sindicatos dos Hospitais e Estabelecimentos de Saúde de Londrina, Fahd Haddad, ''todo cuidado com a saúde, não importa se pelo dentista ou enfermeiro, que garanta o bem-estar do paciente, é bem-vindo''. ''Desde que o hospital tenha necessidade, a presença do dentista é importante.''
Segundo Haddad, que é superintendente da Santa Casa de Londrina, os hospitais gerais já disponibilizam o serviço de dentistas mesmo sem a obrigatoriedade da lei. Na Santa Casa, por exemplo, desde 1982 nove profissionais orientam uma equipe de estagiários que atendem todo as necessidades do hospital. ''A higiene oral sempre foi feita pelas equipes de enfermagem. Não sei se esse projeto de lei vem para agregar ou se para facilitar o acesso do dentista aos hospitais'', questiona o médico.
Para ele, a legislação pode criar uma demanda que o Sistema Único de Saúde (SUS) não tem como pagar. ''Se os médicos já ganham pouco, os auxiliares vão receber menos ainda.'' (M.G.)

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