A praça dos idosos é também dos vendedores
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quinta-feira, 16 de agosto de 2001
Lucinéia Parra 
Ao passar nas proximidades da Praça Raposo Tavares, no centro de Maringá, as pessoas se perguntam o que atrai tantos idosos ao local. O encontro dos homens, geralmente com idade acima de 60 anos, tem hora marcada: início da manhã.
Sentados nos bancos nem sempre muito limpos ou de pé, em meio a pequenos grupos, como se estivessem confidenciando um segredo, os frequentadores da praça curtem e nada chama a atenção deles. A não ser a chegada repentina de um outro homem, também de cabelos grisalhos, roupas simples e com jeito de grande comunicador. Não dá outra: é um vendedor de relógios. Ele abre o pequeno envelope, tira uma porção de relógios e os mostra aos muitos curiosos que a esta altura já estão ao seu redor. Assim como os aposentados, os vendedores de relógios também estão todos os dias na Raposo Tavares.
Terminado o interesse pelo vendedor de relógios, os grupinhos de amigos voltam a se formar para comentar diversos assuntos: a política, o preço da tarifa do ônibus coletivo embora a maioria seja beneficiado pelo passe gratuito , o clima, as ruas esburacadas da cidade ou a venda da Copel. Os temas são discutidos sim, porém sem a exaltação típica dos mais jovens. Discussões à parte, o encontro dos amigos é marcado mesmo pelo bate-papo. Uma conversa aqui e outra ali, e os senhores que frequentam a Raposo Tavares nem percebem as horas passarem, mas de forma quase automática começam a deixar o local e retornar para suas casas por volta das 11 horas.
De repente, o lado norte da praça, que margeia a Avenida Joubert Carvalho, fica quase deserta e os grupos de homens com cabelos grisalhos desaparecem. No horário de almoço e no período da tarde são outros os frequentadores da Praça. Mas que ninguém se engane, porque no dia seguinte, os mesmos velhinhos estarão lá, na mesma praça, no mesmo banco, enfim, no mesmo lugar.


