A PRAÇA
Discurso
Em homenagem ao colega e amigo Estelio Feldman, publicamos, nesta que será a última Praça, o discurso de agradecimento que pretendia proferir na entrega do título de Cidadão Honorário de Londrina, com o qual seria agraciado ontem, na Câmara de Vereadores.
As palavras
Escrevo porque, eventualmente, a emoção pode evitar que o complete de improviso.
Benjamin Franklin, um dos pais da República dos Estados Unidos da América, e de quebra inventor do pára-raios, disse uma vez que nascer é um fenômeno natural e se nasce onde a mãe da gente estiver. Mas viver em um lugar pode ser uma escolha. Estava certo. Nasci em Campinas e gosto muito de lá. Mas, em 19 de dezembro de 1955, por coincidência o Dia do Paraná, cheguei a Londrina e fiquei. Apaixonado pela cidade, encantado pela nobreza de seus moradores. Não esqueço meu primeiro amigo aqui, Elias Aborihan, quase vizinho, estudando comigo no Estadual. E os outros, Ademar de Barros, Carlos Zewe Coimbra Filho. Juntos fizemos o primeiro jornal do Colégio Estadual de Londrina. Depois, eu, Ademar e Carlos editamos o único jornal que um Tiro de Guerra já teve no Brasil, em 1957.
Apaixonei-me, fiquei. Estive na Rádio Paiquerê, como fundador e penso que poucas cidades dariam a um estranho, sem experiência, este tipo de oportunidade. Produzi programas, fui um pouco de tudo, acabei até ganhando prêmio do Radialino de então, o jornalista Arceno Attas.
Daí fui para a Folha. São só 44 anos no jornal. Durante 35 anos, fui a voz do João Milanez. Com ele, aprendi muito, inclusive a linha municipalista de um dos maiores jornais do país. Embora não seja possível citar todos, seria impossível deixar de lembrar, com saudade e afeto, do jornalista Nilson Rímoli, que ensinou a toda uma geração, eu inclusive. E seu irmão João Rímoli, editorialista que me precedeu, grande homem, grande mestre, grande amigo.
Por anos, atravessamos, eu e o nosso Mineiro, o Alexandre Rocha Filho, o Paraná, o Mato Grosso. Uma coisa garanto: tudo o que fizemos foi porque entendiamos então, como entendemos agora, a função social de um jornal. A gente fazia o que entendia dever fazer, dentro da linha de que o cidadão é fundamental, o município é a base. As pessoas não vivem no Estado, não vivem na União, vivem no município. Por isto, a Folha lutou, sempre, para a valorização municipal.
E vai continuar lutando. E eu também. Perguntam alguns por que não páro. Lembro do autor de Fernão Capelo Gaivota e de Ilusões, entre tantos, Richard Bach. Em ''Ilusões'', na contra-capa ele tem um teste: Quer saber se sua missão no mundo terminou? Se está vivo, não! Estou vivo, graças a Deus.
E termino com mais uma citação: na terrível época da guerra fria, Berlim era uma cidade em ebulição. O então presidente americano John Kennedy foi à cidade e, ali, lançou o brado, em alemão: Ich bin a berliner. Eu sou um berlinense. Fez furor. Era um gesto forte, político. O meu é de coração: Eu sou um londrinense e nunca me senti tão realizado, antes. Obrigado.





