Curitiba - Motoristas de várias partes do Paraná receberam, neste final de semana, orientações de profissionais de fisioterapia sobre a postura ideal em frente ao volante. Somente no posto de atendimento montado próximo à praça de pedágio da BR-277, trecho que liga Curitiba às praias, cerca de 450 pessoas foram atendidas e ainda ganharam uma sessão de acupuntura auricular.
A ação, iniciada na última sexta-feira e encerrada ontem, foi uma parceria entre seis universidades paranaenses, a Associação dos Fisioterapeutas Acupunturistas do Brasil (AFA), o Conselho Regional de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional (Crefito) e as concessionárias. Os outros atendimentos foram realizados, simultaneamente, em Ponta Grossa (Campos Gerais), Londrina (Norte), Maringá (Noroeste) e Lapa (71 km a oeste de Curitiba).
De acordo com a presidente da AFA, Magali Sefrian, cerca de 90% dos motoristas reclamam de dores cervicais e lombares. ''É resultado de a pessoa não saber se posicionar. Grande parte dirige com o banco muito afastado, precisando esticar as pernas e os braços. Também é comum que a pessoa não relaxe o pescoço, o que pode causar até dores de cabeça. Ela deve estar encostada e alinhada com o queixo e o peito'', afirma.
O oposto, dirigir muito próximo ao volante, também é prejudicial. A posição ideal tem os braços semiflexionados e as mãos em ''dez para as duas'' (como os ponteiros de um relógio neste horário). Os joelhos, que também devem ter uma leve flexão, devem ficar um pouco afastados do banco. Toda a sola do pé deve estar sobre os pedais de embreagem e freio e o calcanhar apoiado no assoalho, no caso do acelerador. Todos os comandos do carro precisam estar ao alcance do motorista, mas o ideal é que as costas fiquem retas e encostadas no banco.
Segundo o professor de fisioterapia da Universidade Tuiuti do Paraná, Luis Carlos da Câmara Vicelli, motoristas profissionais precisam fazer um intervalo a cada seis horas, quando é recomendado um alongamento. ''Se a pessoa tiver uma boa postura, as 6 horas guiando não irão sobrecarregar as articulações e a coluna'', diz.
A agente de viagem Lilian Pavani, 29 anos, chegou ao posto do Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), da Ecovia, reclamando de uma dor nos ombros e cintura escapular (região logo abaixo do pescoço, nas costas). Como ela tem um restaurante no Litoral e trabalha durante a semana em Curitiba, enfrenta a estrada da Serra do Mar duas vezes por semana. ''Quando chego no destino, sinto essa região dos ombros pesada'', conta.
Depois de receber as orientações da postura correta, ela ainda ganhou aplicação de acupuntura com sementes de mostarda na orelha. Segundo Lilian, o alívio foi imediato.
A iniciativa marcou os 40 anos da profissão de fisioterapeuta e os 24 anos de regulamentação da especialização. Os profissionais envolvidos, entre eles alunos do curso, aproveitaram para esclarecer que a acupuntura pode ser também aplicada por fisioterapeutas habilitados.

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