O ex-secretário geral do Ministério dos Transportes, Keiji Kanashiro, que acaba de deixar o cargo e agora passa a ser integrante do recém-formado ‘grupo de empresários do PT’, esteve em Londrina, sexta e sábado últimos, para proferir palestra promovida pela Acrol (Associação Okinawa de Londrina) a dekasseguis e descendentes de orientais. Depois de um ano e três meses como o segundo homem mais importante da área dos transportes no Brasil, ele falou sobre a estratégia para se desenvolver o setor num país tão grande. Com ele, veio Newton Sonoki, diretor de relações internacionais da Petrobrás, que também fez sua palestra ao mesmo público. Vejam o que conversamos com Keiji Kanashiro, durante jantar oferecido no Brickel Key por diretores da Acrol.



Há algum projeto para o Norte do Paraná no Ministério dos Transportes?
Keiji Kanashiro - Há sim. Lá está um estudo para a implantação do trem de passageiros entre Londrina e Maringá, que é chamado de ‘regional de curta distância’. Como muitas cidades do país começaram ou cresceram paralelamente a uma ferrovia, a idéia é resgatar a cultura deste tipo de transporte .

Depende do quê e qual a sua viabilidade?
Kanashiro – É preciso que os prefeitos de Londrina, Maringá e cidades beneficiadas façam um ‘tour de force’ a respeito. Que conversem com o Ministério e que obtenham o apoio de suas lideranças políticas. E é viavel, sem dúvida alguma.

O Brasil deveria investir mais em ferrovias?
Kanashiro – O Brasil tem quatro metros de ferrovia por quilômetro quadrado. Na França são 59 metros por km2. No Japão são 24. Só que construir ferrovia é muito caro. São 2 milhões de reais por quilômetro. E demora muito.

O que mais é preciso fazer?
Kanashiro – Falta planejamento e logística. Somos os maiores produtores de soja do planeta, mas não temos capacidade de armazenagem. Vendemos toda a safra em apenas quatro meses. Se fizermos isso, poderemos segurar a venda , esperar para comecializar com o produto em alta. Podemos armazenar a soja por até um ano, o milho também pode ficar guardado por um bom tempo.

E a logística?
Kanashiro – É planejar corretamente, usando o caminhão para transportar a safra em um pedaço do caminho e o trem em outro. Também é necessário investir nos portos.

Mas é só isso?
Kanashiro – Claro que não. Fizemos um diagnóstico do transporte no Brasil. Nos anos 70, o investimento em infra-estrutura representava 2% do orçamento. Nos últimos 15 anos, o volume baixou para 0,15%. Sabemos que é preciso fazer muitas mudanças.

O senhor está otimista com a visita do presidente Lula à China?
Kanashiro – Acho que o Brasil tem tudo para se tornar um parceiro estratégico da China. A visita do Presidente em maio próximo será a mais importante da sua gestão. Os chineses querem agregar proteína animal à dieta da população. Seria fantástico para nossa pecuária. Haja carne. Os pecuaristas vão ganhar muito. Outro dia, a China quis comprar moela. Um frigorífico brasileiro de frangos foi anotar o primeiro pedido e levou um susto: correspondia há 8 anos de produção da empresa!

Eles são bons consumidores?
Kanashiro– Hoje há 250 milhões de chineses de classe média alta, ‘padrão belga’. Os chineses estão investindo para que, até 2020, um bilhão de pessoas cheguem a essa condição. Convenhamos: não há parceiro melhor.
Que venham os chineses!

E eles também querem investir aqui?
Kanashiro – Um dos bancos de fomento da China vai disponibilizar financiamento com juros baixos, sendo que a garantia será o produto. Por exemplo, soja ou minério. É hora, portanto, dos empresários, o pessoal do agrobusiness e os políticos prestarem atenção nas negociações com a China e sair à frente. O que não pode é alguma autoridade atrapalhar os negócios, em invés de facilitar a vinda de compradores, de riquezas, de dólares, de euros e etc.

- Voltará a Londrina
Keiji Kanashiro deverá voltar a Londrina brevemente, para alavancar aqui o Grupo de Empresários do PT e lançar a ONG de apoio aos dekasseguis. Do jantar, na sexta-feira última, participaram Newton Sonoki, diretor da Petrobrás, a assessora do Ministério dos Transportes, Nilza Emy Yamasaki; e os empresários Wagner Yonegura e Carlos Choji Kotinda, anfitrião dos visitantes, e também o jornalista Marcelo Militão. As palestras na Acrol obtiveram grande sucesso.

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