Da Sucursal

Kraw PenasAquele abraçoPoliciais dão-se as mãos em volta da Secretaria Estadual de Segurança: impasseNuma assembléia com cerca de mil pessoas, ontem pela manhã, em Curitiba, policiais civis do Paraná decidiram entrar em greve a partir da zero hora de hoje. Algumas delegacias já atendiam em esquema de plantão ontem à tarde. O secretário da Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira, disse que a Polícia Militar tem condições de substituir a civil nos setores que aderirem à paralisação e prometeu cortar gratificações e salários dos grevistas.
Depois da assembléia, os policiais foram em passeata até a secretaria, no Centro Cívico. Mas não houve qualquer negociação entre o governo e os policiais, que reivindicam plano de cargos e salários e a incorporação aos salários da gratificação por Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (Tide), concedida por resolução.
À tarde, o presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis, Vitenberg Mendes, enviou ofício ao secretário de Segurança comunicando a greve. O ofício informa que, além de paralisar a rotina policial, os grevistas deixarão de fazer a guarda dos presos que cumprem pena nas delegacias.
De acordo com o secretário, em todo o estado há 2.500 presos em delegacias, cumprindo pena ou aguardando julgamento. ‘‘Onde houver adesão à greve, a PM atenderá as delegacias para evitar fugas’’, disse. O secretário se disse ‘‘esperançoso’’ de que não haverá paralisação total, mas afirmou que, caso isso ocorra, ‘‘a PM tem condições de fazer simultaneamente a guarda de presos e o policiamento das ruas’’.
‘‘Durante a última greve da Polícia Civil, no governo Álvaro Dias, a criminalidade diminuiu’’, ironizou. Segundo ele, se houver necessidade serão contratadas pessoas para fazer o trabalho de escrivães e outras funções.
O diretor geral da Polícia Civil, Toleb Baleche, passou a tarde reunido com os delegados distritais e de especializadas de Curitiba. Eles foram orientados a repassar para suas equipes a informação de que a greve é considerada ilegal e que o governo não pretende ceder agora.
Segundo Oliveira, o governo ‘‘está disposto a dialogar, mas no prazo marcado, que é junho’’. Ele não garantiu o atendimento às reivindicações e disse que os grevistas sofrerão corte do Tide e desconto salarial das ausências.
‘‘Não aceitamos esperar, temos problemas emergenciais’’, disse o presidente da União da Polícia Civil, Wilson Villa, que espera a adesão de 100% dos 4 mil policiais à greve. No final da tarde, outra assembléia reuniu agentes do sistema penitenciário, que até o fechamento desta página ainda discutiam a proposta de greve.

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