A Patrulha Rural morreu, diz Neco
A Patrulha Rural morreu hoje. Não há mais necessidade de uso de força. A lei impera sobre a força e vamos praticá-la, afirmou ontem o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Manoel Garcia Cid. Durante a assinatura do protocolo de intenções - que prevê a paz no campo até 30 de julho -, no auditório da Sociedade Rural do Paraná, ele chegou a deixar de lado o termo invasão. Vou falar em ocupação, como os sem-terra, observou. Ao apresentar os integrantes da mesa, o líder estadual do MST foi chamado de camarada pelo ruralista.
Em seu discurso, o presidente da SRP destacou o papel da superintendente estadual do Incra, Maria de Oliveira, nas negociações que levaram ao acordo. É a general da Reforma Agrária, denominou. Satisfeito com o acordo, o líder ruralista informou que o Incra fornecerá à SRP a relação dos sem-terra cadastrados na região. Gostaria de ter mais sócios e convidá-los para se associarem a essa entidade, afirmou.
Mas não foi só. Garcia Cid propôs aos sem-terra que, após o período da Exposição Agropecuária e Industrial, que acontece no próximo mês, montem o acampamento nos dois pavilhões existentes no Parque de Exposições Ney Braga enquanto aguardam a liberação das áreas para o assentamento. Logo começa o frio e o pessoal poderia ficar aqui, onde há sanitários e um teto, disse Garcia Cid.
O líder estadual do MST, Josmar Choptian, disse que não há interesse em aceitar a oferta da SRP porque os sem-terra já têm local definido para o acampamento das 2 mil famílias que serão assentadas até 30 de julho. Elas ficarão na Fazenda Serraria, em Tamarana.
A superintendente estadual do Incra, Maria de Oliveira, considera que a proposta da Rural poderia ser reformulada. Os sem-terra permaneceriam no acampamento e teriam naquele espaço um local para treinamento e instruções sobre manejo do solo. (L.M.)





