A paixão pelo samba em ritmo de Carnaval
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quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Cuíca, repinique, ganzá, agogô. Mais do que instrumentos de percurssão, eles deixam qualquer um apaixonado pelo ''batuque'', principalmente na época de Carnaval.
Foi justamente por conta do amor pelo samba herdado do pai que Eduardo Scheffer, hoje Mestre de Bateria da Escola Garotos Unidos da Zona Sul de Londrina, vive rodeado por instrumentos. Ele conta que desde pequeno acompanhava os pais nos desfiles das escolas de samba em Curitiba, onde nasceu e cresceu. ''Apesar da cidade não ter uma característica forte de festas de Carnaval, meu pai não perdia um só desfile e sempre levava meu irmão e eu junto. Cresci escutando samba e hoje sou apaixonado pela festa'', diz.
Apesar de só portar o apito durante o desfile da escola, Sheffer diz que seu instrumento favorito é o surdo, que segundo ele, é um dos principais para a realização de um bom samba. ''Quem me conhece sabe que quando eu paro, fico batucando em qualquer lugar, na cadeira, num móvel qualquer. Eu cheguei a fazer um curso de percurssão na União da Ilha do Governador no Rio de Janeiro, mas muitos instrumentistas bons nem chegam a passar por alguma escola de música. O samba é algo nato do brasileiro, qualquer pessoa que pega um instrumento consegue tocar alguma coisa'', salienta.
Foi assim, brincando de batucar, que hoje o jovem Henrique Gomes de Lima, 18 anos, faz parte da bateria da Escola Garotos Unidos da Zona Sul. ''Meu pai sempre gostou de samba, Carnaval, e eu acabei gostando também. Hoje estou tocando o surdo na escola e aprendi rapidinho'', comenta.
Todos os anos, nessa época, as lojas de instrumentos musicais sentem o aumento na procura pelos objetos e principalmente pelos acessórios. Segundo o supervisor do departamento de instrumentos da Sonkey, Renato Martins de Souza, paquetas, peles para surdos e palabartes (cordão que prende o instrumento no corpo do instrumentista) são os que mais vendem. ''A maioria das escolas já têm seus próprios instrumentos, então eles nos procuram para recuperar alguma coisa estragada ou para adquirir algum acessório'', comenta.
O presidente da Liga das Escolas de Samba de Londrina, Pedro Paulo, disse que a maioria dos instrumentos das escolas são adquiridos no Rio de Janeiro. ''Lá a gente consegue comprar instrumentos muito bons com preços bons, também. Os cariocas são apaixonados pelo samba, eles produzem instrumentos e fazem questão de deixar até a assinatura deles gravadas. Já os acessórios, coisas pequenas, compramos aqui mesmo'', explica.
Mas, o supervisor da loja de instrumentos garante que não só as pessoas ligadas às escolas de samba procuram os instrumentos. Segundo Renato, muitos leigos, que nem sabem tocar, também vão até a loja comprar pandeiro, cavaquinho e o rebolo. ''Normalmente é para fazer um samba em casa com os amigos durante os dias de Carnaval. Temos pandeiros que vão de R$ 35 a R$ 260 ou o próprio rebolo, que pode custar até R$ 300 reais. O pessoal compra porque para eles vale tudo para se divertir no Carnaval'', comenta.


