Londrina - Ao analisar as páginas do livro Saco de Ossos, do autor Stephen King, a técnica em gestão pública Ninfa Vitória Ciquini já imaginou o trabalho que estaria por vir. "Foi uma semana até a finalização dos reparos. O livro estava muito danificado. As folhas estavam bem ‘ensebadas’ com a gordura das mãos. Foi preciso recortar as bordas das páginas para chegar em um papel que a gente pudesse lixar e fazer a limpeza. A capa estava destruída e foi refeita", contou a servidora que atua na Biblioteca Pública Municipal de Londrina.
Os livros, conforme ela, ficam mais resistentes após os cuidados manuais. Ninfa executa pequenos reparos há dez anos com equipamentos simples como sabonete neutro, estilete, lixa de unha, papel especial, linha de pipa e fralda de pano. Com improviso e criatividade, ela e a companheira de trabalho Lucineia Chamorro recuperam, aproximadamente, 40 livros por mês.
Algumas obras danificadas chamam a atenção das servidoras municipais. "Gosto muito do que faço. Eu me interessei pelo suspense Criança 44, de Tom Rob Smith, e comecei a ler a obra enquanto restauro os outros materiais", contou Ninfa. A Biblioteca Pública contém, aproximadamente, 60 mil exemplares. Centenas deles estão danificadas.
Os representantes da UEL e da Biblioteca Pública Municipal não possuem uma estimativa dos custos com os serviços de reparo e restauração de livros. "Se o livro estragar, é importante que as pessoas não tentem fazer o reparo por conta própria. Às vezes, nós perdemos mais tempo retirando os produtos que as pessoas colocam nos livros do que recuperando os exemplares. A cola ácida existente em fitas adesivas, por exemplo, continua agindo durante anos e a página fica amarelada", explicou Ninfa. (V.C.)

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