A oportunidade de conviver 'em família' em Ibiporã
Serviço de acolhimento familiar atende hoje 11 crianças e adolescentes que estão sob medida protetiva
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de abril de 2019
Serviço de acolhimento familiar atende hoje 11 crianças e adolescentes que estão sob medida protetiva
Micaela Orikasa - Grupo Folha 

Ibiporã - Seguir uma rotina familiar, passear aos fins de semana, compartilhar o amor. Essa vivência faz toda a diferença na vida de crianças e adolescentes que estão sob medida protetiva. Por algum motivo, eles foram afastados da família natural e até que a Justiça delibere sobre seus caminhos até completarem 18 anos, as instituições de acolhimento serão sua nova morada. A não ser que outras portas se abram dando a oportunidade de conviverem em família.
Essa é a uma realidade que vem aos poucos sensibilizando a população de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), por meio do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora. Ele é destinado a crianças e adolescentes que estão afastados da família biológica por medida de proteção, visando a segurança pessoal e social dos mesmos. Mas não se trata de adoção.
Ao participar do programa, os acolhedores se tornam parceiros do município na preparação da criança para o retorno à família de origem ou encaminhamento para família extensa ou adoção.
Atualmente, 11 crianças estão sendo beneficiadas por nove grupos familiares e outros três estão em processo de capacitação. A meta de Ibiporã para o ano de 2019, segundo a coordenadora do serviço de acolhimento, Clarice da Luz Kernkamp, é chegar a 15 famílias habilitadas. O número de crianças institucionalizadas é bastante variável, mas no momento, são 20 em todo o município.
Ela explica que o serviço começou a funcionar em 2016 e, em tese, a permanência nos novos lares não deve se prolongar por mais de dois anos. “Todos devem saber que não se trata de uma adoção. É um processo com início, meio e fim. Para isso, toda a família deve estar de acordo e cientes do funcionamento do serviço”, ressalta.
Para ajudar nas despesas, a prefeitura municipal disponibiliza uma bolsa-auxílio no valor de um salário mínimo por mês para os acolhedores. Os interessados em participar devem preencher requisitos básicos e passar por capacitação.
'ELA TINHA QUE PARTICIPAR
DA NOSSA FAMÍLIA'
Tal processo é uma etapa muito simples, pois a exigência maior é o desejo em acolher essas crianças com amor e cuidado. “Há muitos desafios, não tem como. A rotina muda, é cansativo na adaptação porque no nosso caso é uma criança pequena, mas a gente entende que ela tinha que participar da nossa família”, conta uma “mãe acolhedora”.
A família se cadastrou no serviço há um ano. Ela é casada e tem dois filhos, e conta que acolher uma criança temporariamente passou a ser um plano em conjunto. “Conversamos muito e tomamos essa decisão juntos, até porque isso gera uma mudança em horários e até de espaço. Não tínhamos ideia de quem viria para nossa casa, mas queríamos muito que fosse uma criança pequena, pois mesmo com as especificidades da idade pensamos em sermos um molde para o futuro”, comenta.
De acordo com ela, a experiência em aumentar a família está sendo tão rica que eles não descartam continuar no programa para acolher outras crianças. “Todo ser humano deveria passar por isso. Não sabemos como será a vida dessa criança no futuro, mas estamos plantando uma sementinha hoje e sei que dará frutos porque estamos doando amor”.
De acordo com Kernkamp, já se sabe cientificamente que uma criança em família acolhedora (bebê de até 12 meses), por melhor que seja a instituição de acolhimento, há um atraso no desenvolvimento psicomotor de aproximadamente quatro meses.
“Em uma família acolhedora isso não existe porque ela terá um cuidado na sua individualidade, fora o ganho emocional. Nada melhor que deitar e acordar com uma família que vivencie todos seus momentos, a escola, as brincadeiras. E para quem acolhe, o ganho está nas relações familiares, no ato de se entregar e no entendimento sobre seu papel na sociedade”, afirma.
AFETIVO E FINANCEIRO
Outra oportunidade de convivência familiar e comunitária para crianças e adolescentes que estão sob medida protetiva em Ibiporã é pelo programa de Apadrinhamento Afetivo e Financeiro, sancionado no dia 4 de abril, por meio da lei nº 2.992.
No apadrinhamento afetivo, a ideia é criar um vínculo entre as partes na expectativa de gerar experiências sociais saudáveis. A pessoa passa a ter autorização para levá-los em atividades fora do serviço de acolhimento e passar fins de semana, feriados ou férias escolares em sua companhia.
Já no financeiro, a criação de vínculos afetivos fica à critério. O objetivo é dar suporte material ou financeiro como, por exemplo, patrocinar cursos profissionalizantes, reforço escolar, práticas esportivas ou atividades culturais. Nessa modalidade, podem participar pessoas físicas, empresas, instituições, escolas, clubes de serviços, entidades de classe e associações.
Kernkamp explica que o programa já está em andamento há dois anos. “Fomos moldando-o para a regulamentação. Percebemos que há uma procura maior pelo apadrinhamento e que muitas famílias após conhecerem este serviço, acabam se tornando acolhedoras”, diz.
Atualmente, seis crianças no município têm padrinhos afetivos. Em relação aos financeiros, Kernkamp diz que são esporádicos. “No momento, são apenas quatro grupos fixos”.
Serviço: Mais informações sobre os serviços pelo fone (43) 3178-0234 ou pessoalmente, na rua Saldanha Marinho, 272, de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h
COMO FUNCIONA O
PROGRAMA EM LONDRINA
A assistente social Sandra Bianconi, do Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora em Londrina, destaca que a maior demanda na cidade são para grupos de irmãos, bebês e adolescentes. “Na maioria dos acolhimentos há uma maior disponibilidade para atender uma criança, até mesmo pela dinâmica da família, mas esses outros grupos são recorrentes”, diz.
A diretoria de Proteção Social Especial da secretaria municipal de Assistência Social aponta que atualmente são 85 crianças e adolescentes em instituições do município. “Temos um sistema informativo e dependemos das instituições para alimentá-lo, pois esse número é muito volátil”, afirma Josiane Nogueira. Até o fechamento desta edição não havia dados filtrados por grupos de irmãos, bebês e adolescentes.
O programa foi retomado no município em dezembro de 2017, para atender crianças e adolescentes de zero a 18 anos incompletos, podendo se estender até 21 anos, no caso de pessoas com deficiências.
Segundo Bianconi, a meta da secretaria municipal de Assistência Social também é chegar a 15 famílias habilitadas. No momento, nove crianças e adolescentes estão acolhidas por oito famílias e outras quatro estão em fase de avaliação (cadastro e capacitação).
Em relação aos programas de apadrinhamento, a assistente social Vivian Beraldo, do NAE (Núcleo de Apoio Especializado à Criança e ao Adolescente) da comarca de Londrina, informou que as ações passaram a ser encampadas pelas próprias instituições de acolhimento.
“Está em curso o estabelecimento de uma parceria do Grupo de Apoio à Adoção Trilhas do Afeto com as instituições para fortalecimento do apadrinhamento, mas está no começo ainda”, afirma.
SERVIÇO - Mais informações sobre o Família Acolhedora em Londrina pelo fone (43) 3378-0589 ou pelowww.londrina.pr.gov.br/familiaacolhedora.


