O esquema de lavagem de dinheiro através das CC-5 é feito em cinco etapas. Quanto mais gente estiver envolvida, mais difícil é a identificação do verdadeiro dono da fortuna. Na fronteira Brasil-Paraguai, as operações diminuiram drasticamente depois que as procuradorias de Justiça iniciaram as investigações. ‘‘Mas, em outros lugares do Brasil, a coisa funciona exatamente da mesma maneira’’, explica o procurador Antonio Celso Três.
- 1 - O sonegador, corrupto, narcotraficante ou contrabandista que tem dinheiro sujo entrega sua fortuna para o doleiro, normalmente proprietário de uma casa de câmbio.
- 2 - O doleiro contrata um ‘‘laranja’’, que abre uma conta em qualquer agência bancária do país, e deposita o dinheiro.
- 3 - O dinheiro é transferido da conta do ‘‘laranja’’ para uma CC5 (conta especial para estrangeiros aberta em bancos brasileiros, na maioria dos casos no próprio Banco do Brasil) que está em nome de um doleiro ou de bancos instalados em Ciudad del Este. Esta CC5 pode estar em nome do próprio doleiro instalado no Paraguai ou em nome de um ‘‘laranja’’ paraguaio, que lá é conhecido como ‘‘presta nombres’’ (empresta nomes).
- 4 - O dono da CC5 saca o dinheiro e o transforma imediatamente em dólares, o que é permitido para estrangeiros. Em seguida, remete estes dólares legalmente a uma conta de um banco paraguaio. O banco, finalmente, deposita o dinheiro na conta do verdadeiro dono, aquele que estava no início da corrente.
- 5 - Assim que o verdadeiro dono solicita, os dólares são transformados em reais e voltam legalmente para o Brasil. Na fronteira Brasil-Paraguai, até meados do ano passado, mais de 20 carros fortes atravessavam a Ponte da Amizade, vindos de Ciudad del Este para direção a Foz do Iguaçu. Estes carros carregavam não só dinheiro gasto pelos muambeiros em lojas de brasileiros instalados na cidade, como também dinheiro sujo lavado pelos doleiros. Em alguns casos, era tão gritante a operação, que o carro forte saía do Banco do Brasil em Foz do Iguaçu, atravessava a Ponte da Amizade e voltava, com as guias já carimbadas pela Receita Federal, para depositar o dinheiro na mesma agência do mesmo Banco do Brasil. ‘‘Eles não se davam sequer ao trabalho de trocar as fitas do banco que prendiam os maços de notas’’, lembra Celso Três.

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