'A nova regra me induziu a ficar em casa'
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sábado, 28 de novembro de 2009
Diogo Cavazotti<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Desde a implantação da lei municipal antifumo na Capital, no dia 19 deste mês, 12 estabelecimentos foram autuados. Até agora, 400 pontos passaram por vistoria da vigilância sanitária, entre bares, restaurantes, casas noturnas e shows. A irregularidade mais comum foi a presença de clientes fumando, além da existência de cinzeiros e falta de sinalização informando a proibição. Os empresários têm 15 dias para apresentar defesa. O valor da multa aplicado na Capital é de R$ 1 mil. Em caso de reincidência o valor dobra. Na terceira ocorrência, o alvará de funcionamento da casa é cassado.
Diversas pessoas telefonam para o bar Casa di Bel para saber se é permitido fumar lá. Isso porque existe um grande espaço ao ar livre nos fundos. Segundo a proprietária do espaço, Bel Braga, alguns fiscais disseram que não é permitido. Outros afirmam ser possível. Na dúvida, ela resolveu proibir para evitar multas.
Os garçons ficam de olho para que ninguém fume no local. Quem quer acender um cigarro deve ficar do lado de fora do bar. Isso acaba gerando uma outra polêmica. ''Quando estão lá fora os clientes ficam conversando e acabam fazendo barulho. Todo o esforço que temos para evitar que o barulho incomode a vizinhança vai por água abaixo'', reclama Bel. Ela acha que a lei também deveria multar o fumante. Só assim ele teria consciência da proibição.
Aproximadamente 80% dos clientes do bar e restaurante Babilônia aceitaram a implantação da lei antifumo. Mas volta e meia aparece alguém pronto para criar confusão. É o que explica a gerente geral do estabelecimento, Carla Jancmionka. ''Alguns resolvem pagar a conta e ir embora para fumar. Outros querem fumar perto da porta, do lado de fora, onde também é proibido. Temos dificuldade em falar com estas pessoas. Elas dizem que estão fora do bar e lá são livre'', diz.
Apesar de fumante, a publicitária Fernanda Tenfen aprova a proibição em parte. ''Percebi que estou fumando menos. Em local fechado realmente não dá, mas em espaços abertos deveria ser permitido'', opina. O também publicitário Paulo Eduardo Becker não fuma mas tem uma opinião polêmica a respeito da lei. ''Acredito que ela visa o lucro de quem quer multar. A lei é irredutível. Não tem um caráter educativo''.
A vendedora Andreia Abreu ficou em casa durante uma semana após a aplicação da lei. ''A nova regra me induziu a ficar em casa. Isso agride a liberdade das pessoas que fumam, como eu''.
Segundo o secretaria de Saúde da Capital, o objetivo da norma é proteger a saúde dos curitibanos em geral. Isso porque o fumo está relacionado a 90% das mortes por câncer de pulmão, 30% das mortes por câncer em geral, 25% das mortes por infarto do miocárdio, 85% das mortes por enfisema pulmonar e 25% das mortes por AVC (derrame). Dos 1,85 milhão de habitantes da cidade, cerca de 240 mil são fumantes.


