Os enviados da Folha à região de Adrianópolis, Mônica Kaseker e Kraw Pennas, viveram por mais de dez horas a experiência comum aos habitantes desse lugar remoto, apesar de estar a pouco mais de 130 quilômetros da capital. Buracos, atoleiros, deslizamentos e, no final, o inevitável encalhe, fazem, em certo sentido, lembrar a saga dos pioneiros que colonizaram o Paraná. Mônica e Kraw voltaram impressionados com esse Paraná esquecido junto à divisa com o Estado de São Paulo. Abaixo o relato dos repórteres sobre essa ‘‘prima pobre’’ cidade da Região Metropolitana de Curitiba. A seguir, seu relato.
De Curitiba até Adrianópolis, são 136 quilômetros, dos quais 94 são de lama e buracos. Para percorrer este trajeto num carro de passeio sem tração nas quatro rodas leva-se aproximadamente quatro horas. A qualidade do asfalto até Bocaiúva do Sul não é das melhores, mas os obstáculos surgem para valer a partir do trecho sem pavimentação. O primeiro é um atoleiro em que não passam caminhões e, por isso, com frequência eles bloqueiam o tráfego. Depois disso, são oito pontos em que se pode observar o deslizamento da vegetação nas encostas, o que prepara o terreno para deslizamentos e quedas de barreiras. Em alguns desses pontos avista-se também pedras enormes prestes a rolar das encostas.
A velocidade média é de 30 quilômetros por hora e pode chegar, no máximo, a 60 quilômetros por hora. Bem perto de Adrianópolis, em dois pontos, parte da estrada desabou. A primeira impressão sobre a cidade é de que seja realmente um lugar abandonado e pobre. Procurar um lugar para almoçar também faz parte da ‘aventura’ de quem viaja para a região. Depois de optar por um sanduíche, pode-se ficar surpreso com a resposta da garçonete: ‘‘Só que vai demorar um pouquinho porque não temos pão’’. Depois de comprar pão num vizinho, do outro lado da cidade, é possível fazer o sanduíche. Para comprar um pacote de batata frita ou de biscoitos a dificuldade é a mesma.
A aventura continua na volta para Curitiba. À noite, o trajeto é ainda mais demorado e perigoso. Depois de três horas e meia de pura trepidação e derrapagens, chega-se ao pior atoleiro do trajeto, onde os caminhoneiros insistiram em passar e ficaram no caminho. Dos dois lados vão chegando carros e fazendo filas. São oito horas da noite. O telefone celular não pega nem mesmo subindo na caçamba de um dos caminhões atolados. Neste ponto, deixamos o carro e o coitado do motorista para trás. Vale pegar carona na carroceira de uma Toyota, assim como outra meia dúzia de pessoas.
Mas em Bocaiúva do Sul, onde já existem telefones públicos, o motorista nos alcança e passa direto. Ligando a cobrar para a redação, só conseguimos o carro de volta com a ajuda do bip (até que enfim podemos contar de novo com a tecnologia). O carro só pôde sair do atoleiro guinchado por um jipe com tração nas quatro rodas, emprestado por uma emissora de TV. (M.K.)

mockup