Imagine poder entrar mata adentro e conseguir identificar espécies de animais e plantas sem precisar necessariamente de um guia ou, claro, sem ser um biólogo. Uma turma de 15 alunos do nono ano do Ensino Fundamental do Colégio Estadual Tiradentes, no Parque Bom Retiro (área central) teve essa experiência ontem, na Mata dos Godoy. Durante quase duas horas eles percorreram as trilhas e puderam descobrir algumas variedades que jamais haviam visto.
E isso só foi possível graças a um aplicativo que reúne 69 espécies. A ferramenta funciona como um "mapa" biológico da floresta: a partir de opções e escolhas clicadas na tela – relacionadas ao local onde o "explorador" e a equipe estão – todos podem encontrar o nome e as características de árvores, plantas e animais. "A ideia é que os visitantes possam conhecer o lugar de uma forma mais autônoma e descobrir os elementos sem que um guia precise acompanhar e explicar cada espécie. O sujeito que vier visitar o parque poderá ter uma atividade mais ativa e menos passiva", explicou o biólogo Diego Medeiros, coordenador de criação do aplicativo, que pode ser ativado normalmente sem internet.
A ferramenta também pode ser utilizada como um game, que incentivará as pessoas a aprender através de uma competição. A expedição de ontem, por exemplo, foi dividida em cinco equipes, e cada uma ia somando pontos conforme realizava descobertas. "É possível que o visitante vá somando pontos e conquistas e, com isso, vá adquirindo níveis de conhecimento. É uma forma de deixar o aplicativo ainda mais atrativo", apontou Medeiros.
O passeio de ontem, realizado também em comemoração ao Dia da Árvore, serviu como mais um teste para o protótipo, que ainda precisa ser finalizado antes de ser apresentado para investidores e concorrer a financiamentos de editais para inovação tecnológica em educação ambiental. E quem testou aprovou. "É bem diferente ver essa diversidade, traz uma vibração diferente da que estamos acostumados no dia a dia. E o aplicativo ajudou muito, facilita a identificação", atestou a estudante Maria Eduarda Marques. "Ele é bem intuitivo, fácil de mexer e ajuda bastante", completou Gabriel Proença Lopes, outro integrante da turma.

A natureza  na palma das mãos
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Luana Rebecca dos Santos, que visitava o parque pela primeira vez, ficou encantada com a variedade de borboletas que pôde ver e identificar através do aplicativo. "As que a gente vê em casa são normais, essas aqui são diferentes, mais bonitas. Elas são maiores e mais coloridas, lindas", destacou a estudante.
Para esta primeira versão, o aplicativo está configurado para uma "expedição de descoberta" ao Parque Estadual Mata dos Godoy, maior fragmento de floresta nativa de Mata Atlântica do Norte do Paraná, que compreende uma área equivalente a 700 campos de futebol (690 hectares). No entanto, pode ser adaptado para os demais parques e até para os vales de Londrina – projetos futuros da ONG Meio Ambiente Equilibrado (MAE).
A previsão é de que o aplicativo seja finalizado até o final deste ano e esteja disponível para downloads nas lojas de aplicativos a partir de 2016.

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