As notas musicais usadas para dar vida a músicas que encantam e divertem os mais variados gostos também podem ser usadas para tratar problemas de fala. A fonoaudióloga, musicista e docente da Unopar Caroline Meneses, por exemplo, introduziu vocalises, solfejos e compassos no tratamento da gagueira. O método, chamado fonomúsica, tem se mostrado eficaz contra a disfunção que costuma causar discriminação na infância e prejuízos profissionais e sociais na idade adulta.
''Através da fonomúsica o tratamento se torna mais divertido e, principalmente, as crianças se sentem mais motivadas para fazer os exercícios fonoaudilógicos. Além disso, os resultados são obtidos mais rapidamente, pois o paciente percebe que quando canta ele não gagueja e se sente mais confiante'', afirma Caroline.
Ela explica que durante as sessões os pacientes trabalham a respiração, a dicção, a tonalidade e o ritmo da fala fazendo solfejos conforme as notas são tocadas por ela em um teclado musical.
A fonoaudióloga destaca que gagueira não tem causa determinada pela ciência e geralmente surge quando a criança tem entre dois e três anos. ''Nessa fase geralmente as crianças aprendem uma grande quantidade de vocábulos e ao tentar falar muitas palavras ao mesmo tempo acaba gaguejando'', esclarece.
Segundo a profissional, a gagueira que surge nessa fase costuma desaparecer após alguns meses. ''Trata-se de um problema fisiológico, que some sozinha depois de uns seis ou oito meses. Um exemplo típico é quando a criança tenta contar um fato que aconteceu ao longo do dia e acaba gaguejando. Também é comum a criança gaguejar somente com pessoas estranhas, ao se sentirem inseguras. O contrário também acontece, há algumas crianças que só gaguejam em casa e na presença de outras pessoas falam normalmente'', exemplifica.
Entretanto, a fonoaudióloga diz que em alguns casos a gagueira pode durar até a fase adulta e que o melhor a se fazer quando o problema surge é procurar ajuda profissional. ''Ao perceber a gagueira, os pais devem levar os filhos a um otorrinolaringologista, para verificar se existem problemas fisiológicos, e a uma fonoaudióloga, para iniciar um tratamento com diversos exercícios para trabalhar a respiração, a dicção, a tonalidade e o ritmo da fala. Esse acompanhamento é fundamental para criança não se tornar um gago real'', aconselha.
Caroline diz que quanto antes o tratamento for iniciado, maiores são as chances de reverter o quadro. ''Geralmente na infância consegue-se 99% de remissão da gagueira, já na fase adulta esse índice diminui conforme a severidade do caso, pois existem gagueiras leves, moderadas e severas e conforme o grau é necessário fazer um acompanhamento multidisciplinar incluindo profissionais da área de psicólogia e otorrinolaringologia neste processo'', afirma.
Emocional
Caroline ressalta que a gagueira é um dos principais motivos de constrangimento enfrentados pela criança. ''Quem é gago quase sempre sofre bullying na escola. Essa discriminação pode causar afetamentos emocionais, fazendo com que a criança cresça de forma retraída e passe a evitar a conversa com outras pessoas por conta da gagueira'', salienta.
A fonoaudióloga afirma que a gagueira costuma provocar prejuízos profissionais. ''Há pessoas que chegam a desistir de determinadas profissões que gostariam de exercer por exigirem falas constantes, como é o caso de jornalistas e professores. Esses são casos extremos, mas todas as profissões exigem que a pessoa se comunique frequentemente e a gagueira costuma atrapalhar esse processo'', destaca Caroline.
Segundo ela, além de diminuir o sofrimento de quem gagueja, a fonomúsica também pode ser aplicada para dar mais segurança ao falar e evitar tropeços em situações de tensão, como em palestras que demandam postura e sonoridade adequadas.

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