Giovani Ferreira
De Curitiba
Um homem e cinco mortes. O que poderia ter sido uma história de literatura policial, nos últimos dez dias aterrorizou os moradores da comunidade de Roxo Rois, interior do município de Ponta Grossa, onde o desempregado Osmir Aparecido da Cruz, 38 anos, assassinou cinco pessoas. Sem critérios e de uma frieza que impressionou até mesmo os policiais, Cruz usou as próprias mãos para matar um casal de 48 e 54 anos de idade, duas crianças de 8 e 9 anos, e um adolescente de 16.
Determinado e seguro em suas declarações, o homicida mostrou-se até certo ponto uma pessoa esclarecida, com um português correto e um discurso sem contradições, situação que gerou um mistério e muitos questionamentos sobre os motivos que o teriam levado a cometer os assassinatos. A habilidade de Cruz com as palavras era tanta, que antes dos corpos serem descobertos, ele chegou a ser ouvido uma dezena de vezes pela polícia, sem cometer nenhum deslize em sua versão, impedindo que os policiais pudessem prendê-lo.
Parecendo nunca ter conhecido o sentimento de remorso, Cruz cometia os assassinatos como se estivesse satisfazendo uma necessidade, já que nunca existiu um motivo ‘‘palpável’’ para cometer os crimes. Apesar de alegar que não sente nenhum prazer matando as pessoas, ele também não revela nenhum arrependimento. Disposto a pagar pelas mortes, ele acredita que os anos na cadeia podem livrá-lo da imagem de assassino. Em sua avaliação, pagar por um crime é o mesmo que quitar uma dívida na padaria.
Há um ano morando na região de Ponta Grossa, Cruz sempre viveu ‘‘acampado’’, fazendo serviços temporários em troca de dinheiro ou comida. Na localidade de Roxo Rois ele está há seis meses, três dos quais trabalhando com o casal Cláudio e Erotilde Kovalkeviski, que por ironia do destino também foram suas vítimas. Nesses 90 dias foram cinco homicídios, praticados por razões fúteis, que Cruz encara com a maior naturalidade.
Vale lembrar, que por quase um mês, em diversos depoimentos, o desempregado conseguiu enganar policiais militares, civis e o Corpo de Bombeiros. Além de identificar-se com o nome falso de Valdemar Soares dos Santos, ele ainda chegou a ajudar a polícia nas buscas dos desaparecidos. Por alguns momentos foi considerado uma pessoa de confiança da polícia, que poderia contribuir para o esclarecimento dos crimes.
A banalidade das mortes revela um pouco da vida do assassino, que além de haver a possibilidade de sofrer de alguma doença mental, sempre viveu na miséria, passou pela Febem, em São Paulo, e em diversas ocasiões chegou a passar fome. A condição social e as necessidades enfrentadas ao longo dos anos, aliado à falta de um apoio psicológico, podem ter comprometido a personalidade de Cruz, que tornou-se uma pessoa violenta, insensível e sem propósitos.
Na avaliação do delegado Noel Muchinski da Motta, da 13º Subdivisão Policial de Ponta Grossa, o homicida parece que não tinha nenhum medo de ser descoberto. Prova disso, é que três das cinco pessoas que ele matou foram enterradas à poucos metros da antiga estação ferroviária do Roxo Rois, local que utilizava como casa. Os policias acreditam que ele só resolveu fugir por causa de sua companheira, a menor K.A.J.N., de 16 anos, que está grávida de oito meses.Serial killer matou cinco pessoas em três meses na pequena comunidade de Roxo Rois, no municipio de Ponta Grossa
Kraw Penas‘Serial Killer’Osmir Aparecido da Cruz, 38 anos, mudou de nome e inventou nova história pessoal quando chegou em Ponta GrossaKraw PenasFamiliares do casal Cláudio e Erotilde Kovalkeviski foram à delegacia pedir justiçaKraw PenasDelegado Noel Muchinski da Motta, da 13º Subdivisão Policial de Ponta GrossaArquivo FolhaTodos os cinco crimes foram cometidos nas proximidades da improvisada casa em que Osmir morava em Roxo Rois

mockup