FINADOS
‘A MORTE É O MEU NEGÓCIO’
Simone GirotoTRANQÜILIDADEDona Nair e o marido, José Lázaro: casal trabalha junto no cemitério e garante que não existe lugar melhorTradicionalmente, o 2 de Novembro é dedicado à reverência aos mortos. No Dia de Finados (terça-feira), de acordo com a Igreja Católica reza-se pelas almas do Purgatório. A data e o costume, segundo as enciclopédias, foram introduzidos no século X pelo abade Odilon de Cluny, para os mosteiros de sua ordem na Europa. A ‘‘universalização’’ da data só teria ocorrido no século XIV.
A decoração dos túmulos e a visita aos cemitérios são as principais características do dia. Algumas superstições de origem portuguesas foram transportadas para o Brasil e se mantêm em algumas regiões. Uma delas é de que, nesse dia, não se caça nem se pesca.
Obviamente, há religiões e seitas que têm seus próprios dias e maneiras peculiares de reverenciar os mortos.
Campo vasto para indagações de caráter filosófico, a morte pode ser vista também de forma muito prática. Para alguns profissionais, a finitude da existência alheia significa sobrevivência. Eles revelam na próxima página como lidam com situações que poderiam incomodar a maioria das pessoas. Vender urnas funerárias, cuidar da limpeza de cemitérios, sepultar corpos e, principalmente, fazer a necropsia de pessoas que morreram de forma violenta, também acabam se tornando rotina para aqueles que sobrevivem e sustentam famílias exercendo estas funções.
São personagens como o coveiro José Lázaro da Silva e sua mulher, Nair Rocha da Silva, que dizem viver felizes no cemitério ou o dono de funerária José Sobral da Silva, que se queixa porque ultimamente, devido à crise, só tem vendido os caixões mais baratos.
Aliás, se existe algo que parece preocupar comerciantes e profissionais de atividades de certa forma vinculadas à morte são exatamente as atitudes dos vivos. Ou ‘‘muito vivos’’, como se pode perceber pelo texto publicado nesta página.
(Da Redação)

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