À moda antiga
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
Imagine você sem um endereço de e-mail, sem um telefone celular ou então deixando o aparelho de mp3 de lado para escutar um disco de vinil. Se esse estilo de vida lhe causa um certo espanto, para algumas pessoas entrevistadas pela FOLHA esse comportamento é uma questão de escolha.
Considerando que a maioria irá estranhar o fato delas não terem um endereço eletrônico e tampouco um telefone móvel, vale lembrar que há menos de 20 anos nada disso era questionável.
Antes de surgir o celular, as pessoas se viravam com os telefones públicos ou o residencial e, se alguém quisesse se corresponder com o outro lado do mundo, escrevia uma carta. Porém, a velocidade com que os gadgets (dispositivos eletrônicos portáteis) têm invadido a vida dos brasileiros é quase impossível ficar alheio às possibilidades que eles oferecem. Hoje, para milhares de pessoas, estar conectado ao mundo virtual ou então falar ao celular é uma questão de sobrevivência.
Seguindo este raciocínio, é cada vez mais difícil encontrar aqueles que diante de tamanha tecnologia, simplesmente preferem estar ''em off''. Como é o caso do jornalista Leandro Hammerschimdt, de Curitiba, que aos 28 anos mantém firme a decisão de não ter um celular. ''Não gosto de ser encontrado a todo momento. É uma questão de escolha. Não sou ortodoxo. Se eu perceber que existe uma necessidade, vou ter que me adaptar.''
Ao longo desses anos, Leandro foi presenteado com celulares, mas todos ''foram recusados e ganharam a gaveta como destino''. Parece até brincadeira, mas em breve, Leandro lançará no mercado, em sociedade com dois amigos, uma empresa de software que desenvolve aplicativos para os aparelhos smartphone. ''Pretendo continuar sem celular. Sei que é um paradoxo, mas é uma escolha minha e acho que ela não me atrapalha em nada'', ressalta.
Diante disso, muitos devem se perguntar como ele faz em caso de emergência. ''Peço para mandarem um e-mail ou me procurar em casa. À noite sempre vão me encontrar no telefone fixo. Se eu precisar muito falar com alguém quando estou na rua, uso o orelhão. Tem um a cada esquina'', diz.
Sem identidade virtual
Ao contrário de Leandro, Tairini Mayara Schoweizert, 20 anos, está acostumada a usar o celular. Isso porque quando alguém precisa falar com ela só vai achá-la no telefone ou em casa, em São Sebastião da Amoreira (Norte). ''Não tenho paciência para internet, por isso até hoje não tenho e-mail e nem participo de nenhuma rede social'', explica ela, ao confessar que esse comportamento é tido como curioso para muitos conhecidos. ''Eles me perguntam como faço para me comunicar e eu digo que é pelo telefone. Simples'', brinca.
Tairini está prestes a fazer a inscrição para o vestibular, mas ainda não decidiu qual curso seguir. Em relação aos trabalhos de escola, ela conta que ficava responsável pelas pesquisas em livros. ''Meus amigos faziam pesquisas na internet e eu buscava a biblioteca'', diz a jovem, ao revelar que as irmãs são bem diferentes. ''A gente tem notebook em casa e todo mundo usa, só eu que não, mas é uma escolha minha. Quando é indispensável usar a internet, minhas irmãs fazem isso por mim'', diz.
Apesar de não gostar de computador e tampouco ficar ''navegando'' no mundo virtual, Tairini sabe que em breve terá que aceitar as mudanças. ''Sei que vou ter que aprender e vou me adaptar, mas até hoje, pude me virar sem precisar ter e-mail ou ter amigos virtuais. Não acho ruim'', comenta.


