Entre um e outro ‘bico’ que faz para ganhar a vida, Oânio Silva de Souza, 37 anos, de Tamarana, mantém um hábito antigo, que era comum na época que marcou o auge do garimpo de diamantes no Rio Tibagi, no final do século 19 e nas primeiras décadas do século 20. Com a ajuda do seu pai, o agricultor Joaquim Silva de Souza, 74 anos, Oânio frequentemente veste um velho equipamento de mergulho, que pesa mais de 80 quilos, e mergulha no rio na esperança de encontrar diamantes. Enquanto o filho mergulha, o pai se mantém na superfície, dentro de uma balsa. Ele se encarrega de manter em movimento uma pesada bomba manual que garante o ar, levado por uma mangueira, para o mergulhador. Mesmo no passado, quando o escafandro era o mais moderno equipamento de mergulho que os garimpeiros podiam ter, quem tinha coragem de vestir o pesado capacete e as roupas de lona era visto como herói. Hoje em dia, as dezenas de homens que continuam mergulhando no Tibagi, principalmente na região de Telêmaco Borba, usam equipamentos bem mais modernos. Apesar da falta de condições, Oanio e o pai não desistem, e seguem usando o que têm. ‘‘É tudo pesado e desconfortável demais’’, queixa-se o escafandrista. Só o capacete pesa 15 quilos. As peças de chumbo acopladas às costas e ao abdômen do mergulhador, necessárias para fazê-lo afundar, pesam 30 quilos cada uma. A roupa de lona completa o conjunto. Apesar da persistência, até hoje Oânio nada encontrou de satisfatório. ‘‘É que aqui já estamos no fim da linha. O volume maior está rio acima’’, complementa Joaquim.


É região dos índios kaigangues. O nome deriva da lenda de uma princesa indígena guerreira que usava como arma uma clava feita de madeira que no dialeto tupi se chamava ‘‘tamarana’’

Vestimenta impermeável, hermeticamente fechada, usada geralmente por mergulhadores profissionais para demorados e variados trabalhos debaixo d’ água

O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

mockup