Kraw PenasDorival Menezes diz que religião e trabalho ajudam envitar encrencas‘‘Fui traficante e assaltante, mas hoje estou com Jesus’’, diz o ex-detento Luiz Carlos Catarina. Devoto da Igreja Universal do Reino de Deus, Catarina acompanha hoje o pastor Onésio Custódio, sendo exemplo da recuperação evangélica de presos. ‘‘Irmãos como Catarina podem se regenerar e reconstruir a vida’’, diz o pastor. ‘‘Para isso, basta querer’’, completa Onésio.
Todas as tardes de quarta-feira, Onésio prega a palavra de Deus para 96 presos do 8º Distrito Policial, no Portão. O pastor conta que a ‘‘sua missão é prestar auxílio espiritual e social aos presos’’. Mas o pastor não faz este serviço sozinho, já que existe uma rotina na cadeia, que permite a vinda da Pastoral Carcerária e da Assembléia de Deus, em dias diferentes.
O pastor conta que trabalha com presos há cinco anos, período em que serviu em diversas delegacias e cadeias. Em suas visitas, ele leva roupas, bíblias, alimentos, além de reestabelecer o contato do preso com a família e, em alguns casos, prestar auxílio jurídico. ‘‘Quando são presos muitos perdem o contato com seus parentes, sendo abandonados’’, diz. ‘‘Mas a principal queixa é o abandono oficial, que não fornece advogados para rever penas’’, diz.
Normalmente, o trabalho do pastor é atrair a família para a igreja, junto com o parente preso. ‘‘Na essência é estruturar a família, que será a base para recuperação dessa pessoa’’, diz.
O pastor afirma que o trabalho é difícil, mas não impossível. Por isso, deve ser feito dia-a-dia, conseguindo a confiança dos presos e alivinado a pressão da cadeia com palavras religiosas. ‘‘Sei quando o preso quer se esconder atrás da bíblia, para obter vantagens’’, diz. ‘‘Aquele que se entrega a Deus muda inclusive sua conduta perante os demais’’, afirma. (I.R.)

mockup