A mensagem: ‘Ditadura nunca mais!’
Genecy não tem a data certa. Sabe que foi há uns cinco anos que se aposentou. Mas continua trabalhando no laboratório do Centrofarma, uma divisão da Secretaria da Saúde do Município. Vive há pelo menos nove anos com a atual esposa. Com a primeira, já falecida, teve 13 filhos, dos quais quatro morreram. Todos os filhos estão casados e deram a Genecy 12 netos e oito bisnetos.
‘‘Não sei se a Câmara de Vereadores me honrou ou eu honrei a Câmara’’, comenta, entre uma conversa e outra. ‘‘Porque nunca recebi, durante as duas legislaturas como vereador, uma proposta de propina’’, complementa. Ele lembra, por exemplo, que quando era procurado por grupos interessados em ter projetos aprovados na Câmara, respondia: ‘‘Vou analisar. Se o projeto for conveniente para o povo, eu vou votar com vocês’’.
Sobre a prisão por um ano e nove meses, Genecy tem uma explicação: ‘‘Eles (o regime militar da época) achavam que eu era do Partido Comunista. Eu era simplesmente simpatizante’’. De fato, quando foi preso Genecy pertencia aos quadros do extinto MDB, onde se enfileiravam grandes nomes da esquerda brasileira. ‘‘Deixo uma mensagem aos estudantes brasileiros: a ditadura castra a consciência e mata as idéias. Ditadura nunca mais! A pior democracia é melhor que a melhor ditadura!’’
Quanto a homenagem de amanhã, ele diz: ‘‘Recebo com muita humildade, porque a Câmara representa, bem ou mal, a sociedade londrinense’’. (W.O.)

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