Do total de inscritos, 15 mil são do Paraná; primeira fase será realizada no dia 23 de outubro
Do total de inscritos, 15 mil são do Paraná; primeira fase será realizada no dia 23 de outubro | Foto: Celso Pacheco



O fim do ciclo do ensino médio aponta para os alunos o difícil desafio de participar de processos seletivos para ingressar no ensino superior e o vestibular continua sendo o caminho principal. Nesse aspecto, Londrina se consolidou como uma cidade universitária, exercendo influência sobre diversas regiões. Para exemplificar, dos 22.944 inscritos no vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL), 15.492 são do Paraná (8.153 de Londrina). O segundo estado com mais candidatos é São Paulo - 6.452, equivalente a 28,12% do total.
Entre aqueles que vêm de outros Estados está Caroline de Oliveira Almeida, de 18 anos. Ela é de São Paulo e está em Londrina exclusivamente para estudar para o vestibular da UEL, que prestará pela primeira vez. "A minha família me apoia bastante; vez ou outra volto para visitá-la", relata. Candidata a uma vaga no curso de Psicologia, o segundo mais concorrido neste ano, com 30,43 candidatos/vaga, a estudante relata que a proximidade das provas não a deixa tão ansiosa. "Não sou muito nervosa, até me preocupa ficar tão tranquila assim. Quando soube que Psicologia é o segundo curso mais concorrido senti uma mistura de medo e angústia, mas, mesmo assim, estou preparada", garante. A primeira fase do concurso acontecerá no dia 23 de outubro.
Este ano o número de inscritos no vestibular aumentou de 21.815 para 22.944 - 5,17%. Para a responsável pela Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops) da UEL, professora Cristiane Medina, o acréscimo em mais de mil inscritos pode estar relacionado ao desempenho da instituição no Guia do Estudante e no ranking The Top Universities In the World 2016/2017, do Quacquarelli Symonds, divulgados este mês.
Para a candidata a uma vaga no curso de Medicina, Paula Beatriz Grangera Donaire, outro fator que influenciou é o econômico. "Com essa crise, já era de se esperar que as vagas em faculdades públicas fossem mais concorridas que no ano passado, já que as mensalidades das particulares estão bem caras. Além disso, o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) está mais difícil de sair", aponta a aluna do Curso Ateneu.
Natural de Cornélio Procópio (Norte Pioneiro), Paula também se mudou para Londrina para estudar, já que o curso que ela almeja ingressar é o mais concorrido, com 124,98 candidatos/vaga. O diretor do Ateneu Londrina, Miguel Afonso Vargas, relata que Paula é uma das alunas que estuda em horário ampliado para poder ingressar em cursos específicos, como Medicina. "Aqui tenho 25 alunos em uma turma específica para Medicina", aponta, dizendo que esse tipo de procedimento não acontece só na sua escola. "Nesse caso, o que funciona é a segurança e a atenção individualizada", aponta.

CONFIANÇA
A coordenadora pedagógica do curso pré-vestibular do Sigma, Marli Navarro Carrion, compara que na sua época de vestibulanda havia mais cobrança do conteúdo, mas hoje existe também um trabalho para desenvolver a segurança, a confiança e também para não deixar os alunos ficarem desestimulados. "Muitas vezes o aluno é bem preparado, mas não sabe administrar o tempo e a gente mostra como tem que fazer, tirando um pouco dessa ansiedade", explica.
Marli explica que agora a dica é revisar os conteúdos ministrados no início do ano com os conteúdos mais recentes. Ela aponta que é preciso criar um plano de estudos nessa reta final, com a divisão dos horários de estudos, com um horário regular de sono e a realização de atividade física, para tirar o estresse.
O professor de História do curso Sigma, Ricardo Fracalossi, orienta os estudantes a fazer a sua parte sem se desesperar com a relação de candidatos por vaga. "Faça o seu trabalho. No mínimo 50% dos estudantes não estão preparados para o vestibular. São os outros 50% que estarão competindo pela vaga", aponta.
Segundo ele, o que pode fazer a diferença é a calma e o planejamento. "Há 30 anos dou aulas e vi muita gente boa ser prejudicada no dia da prova, gente prestando para Medicina três ou quatro anos e sofrer um desespero incrível. Tem que ir com calma. A calma é o teto da alma", apontou. No entanto não há milagres para quem não estudou ao longo do ano e agora tenta recuperar tudo de uma vez. "Os cursos super e hiper intensivos só funcionam como revisão. Para quem não estudou ao longo do ano não vai adiantar nada", explica.
A candidata a uma das vagas de Medicina, Vanessa Palma Fávaro, está concorrendo pela quinta vez. Ela revela que já sofreu com o medo e a angústia que o vestibular provoca. "Já tive que procurar ajuda profissional para lidar com isso; a gente tem que se cuidar, ser um pouco mais tranquila. É tudo uma questão de técnica e de saber administrar o tempo. Muito da pressão vem da gente mesmo", analisa. Segundo a UEL, o terceiro curso mais concorrido é Biomedicina, com 28,44 candidatos por vaga.
Os candidatos disputarão 2.480 vagas em 53 cursos de graduação, sendo que outras 600 serão ofertadas por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

MAIS NOVO
A coordenadora do Cops informa que o inscrito mais novo tem 14 anos e irá concorrer a uma vaga em Medicina. "Se ele passar e comprovar que terminou o ensino médio, poderá frequentar o curso normalmente", afirmou. Já o candidato mais velho possui 71 anos e vai prestar as provas para Direito. "Pelo menos por enquanto, pois existe uma outra inscrição em que a data de nascimento consta como sendo de 1933. Acreditamos que tenha sido um erro de digitação", afirma.

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