Por essa nem o próprio pizzaiolo esperava: Carlos Horvatich Beffa, proprietário da Pizzaria e Tratoria Famiglia Beffa, em Arapongas, ganhou o título de criador da melhor pizza do Estado. Ele havia ido meio reticente para a eliminatória paranaense da 1 Copa Brasileira de Pizzarias, realizada no final de março, na Sociedade Garibaldi, mas voltou de Curitiba consagrado. De quebra, garantiu a participação na etapa final da competição, que vai acontecer entre os dias 25 e 28 de junho em São Paulo. A façanha foi alcançada com ''a pizza de Pomodori Freschi e Alici''. Outro paranaense que vai para a final é Marcelo Lima, de Curitiba, que criou a Pizza Brasileira (veja box).
O comentário de um jurado anônimo que participou da seleção resume bem o gostinho da vitória obtida pelo pizzaiolo: ''a melhor pizza de Curitiba... e de Arapongas''. ''Sabia que não iria passar vergonha. Confiava nessa pizza porque nuitos clientes que experimentaram, gostaram e passaram a consumí-la'', confidencia o pizzaiolo. Mas mesmo tendo agradado a clientela, Beffa sabia que não seria fácil competir com pizzarias famosas, comandadas por grandes nomes da capital paranaense. ''Até a hora que estava abrindo a massa não estava nervoso. Mas quando comecei a montar o recheio, a mão começou a tremer'', revela.
O ex-bancário que virou pizzaiolo ''porque estava cansado de ver fila pela frente'' aposta que sua receita foi campeã pela feliz combinação de conhecimento do prato, do paladar italiano e de simplicidade. ''Italiano odeia pizza com muitos ingredientes. Para eles, a pizza é o disco. O que vai em cima é tempero'', ensina. Por isso, o vencedor optou por combinar poucos e bons ingredientes para que sua invenção ganhasse em aroma, sabor e beleza. Sua invenção leva rodelas de tomate, mussarela, parmesão ralado, filés de anchova, flocos de alho frito, orégano e pimenta do reino.
Beffa não aprendeu estes truques apenas com os livros sobre a iguaria. A ''genética'' da ''famiglia Beffa'' também ajudou, mas ele conta que saiu de Arapongas e rumou para a Europa, já com o interesse de aprender mais sobre a arte de se preparar uma bela massa. Na Itália, trabalhou em restaurantes e padarias até seguir para a Alemanha, onde foi empregado por uma família de italianos que comandava uma sorveteria. ''Foi onde peguei o conceito de como o italiano come. Você aprende a fazer a comida de um país quando entende como esse povo enxerga a comida, se alimenta.''
Voltou para o Brasil e recomeçou com humildade, trabalhando só com entrega em domicílios e empregando a esposa Cláudia e as filhas Naiara, Gabriela e Giovanna. ''Minha mulher saía com uma mobilete fazendo as entregas nas casas'', gargalhou. Mas aí, o talento falou mais alto. Depois de dois anos, conseguiu realizar o sonho de abrir um restaurante. Ainda muito simples ''mas sempre lotado desde o primeiro sábado''. Hoje, oito anos depois, ele dá emprego para várias pessoas mas ainda ''escraviza'' a família, o que dá um toque caseiro bem especial à pizzaria localizada numa aconchegante casa da Travessa Uru, no Centro de Arapongas. ''Temos um trabalho que conquistou a confiança da clientela, com todo tipo de comida italiana.''
Agora, para a etapa nacional, os outros participantes que se preparem porque Beffa já está programando uma nova ousadia para realizar na capital brasileira da pizza. ''Vão ser três meses sem dormir direito. Por enquanto, estou ainda testando ingredientes'', desconversa.

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