A maternidade além das barreiras físicas
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segunda-feira, 16 de julho de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
A gravidez é um período de muitas mudanças e descobertas e pode até assustar as mamães de primeira viagem. Para algumas mulheres, deficientes físicas, a gravidez pode significar algo muito maior e um desafio, que chama a atenção de quem não imagina que uma cadeirante possa engravidar.
Quando se descobriu grávida, em 2005, a analista judiciária da Justiça Federal, Nágela Ali Kassem, levou um susto, já que a gravidez não era planejada. Aos 40 anos, sua preocupação era se o bebê nasceria saudável, devido à sua idade. Vítima de paralisia infantil aos 11 anos de idade, Nágela é dependente da cadeira de rodas para se movimentar, mas isso não a impediu de muitas realizações, entre elas, a maternidade.
''Embora não fôssemos casados, eu tinha um relacionamento estável e o fato de ter sobrinhos e meu companheiro já ser pai supria em parte meu sentimento maternal, então não pensava em engravidar. Quando descobrimos a gravidez, eu sabia que precisaria de auxílio para cuidar do bebê, mas nunca pensei em algo como sendo uma missão impossível. Pensei em como me adaptar à situação'', conta ela.
Ela conta que fez o pré-natal como qualquer grávida e teve apenas inchaço nas pernas e algumas alergias, mas não teve aumento exagerado de peso, problemas de pressão nem infecções urinárias, que costumam afetar mulheres grávidas. Para o parto, em conjunto com a obstetra, cujo acompanhamento e orientações médicas durante a gestação foram fundamentais, ela optou pela cesárea. ''Foi uma questão de segurança. Por causa da pólio tive diminuição de força e movimento, não sei se teria contrações. Apenas tomamos cuidado com a anestesia, mas foi tudo muito tranquilo.''
A analista conta que percebia que sua gravidez causava surpresa e até choque em muitas pessoas, mas acredita que mulheres grávidas como um todo sofrem preconceito. Depois do nascimento de Tarik, o pai e a babá eram quem cuidavam dele, sempre sob sua supervisão. ''Eu o amamentei normalmente, pegava no colo. Hoje brincamos juntos, eu corro com ele com a cadeira de rodas. A paralisia não me impediu de fazer nada com meu filho'', garante.
O menino, segundo ela, também encara com naturalidade o fato da mãe ser cadeirante. ''Na escola ele pergunta para os amigos se eles querem dar uma volta comigo na cadeira'', conta. Mesmo com todos os desafios, Nágela acredita que a gravidez valeu a pena. ''A gravidez é um período delicado mas é totalmente recompensado depois. Tarik é muito querido, amoroso, é um presente de Deus. Só tenho a agradecer essa bênção'', conta.
Dois bebês
A primeira gravidez da ex-atleta Eunice Mara Chueiri Cattai, de Rolândia (Norte), foi aos 35 anos. Ela sofreu um acidente de carro aos 28 anos e quebrou a coluna. Quatro anos depois de casada e com ovários policísticos, achou que não conseguiria engravidar. ''Depois de um tempo comecei a ter enjoos com cheiro de óleo diesel, minha mãe dizia que eu estava grávida, mas eu não acreditava nisso. Quando fui ao médico já estava de três meses'', conta.
A gestação foi bem tranquila, de acordo com ela, que nessa época trabalhava como técnica de voleibol. ''Trabalhei até o oitavo mês de gestação. Fiz todo o meu pré-natal pelo SUS e procurei me alimentar de forma correta, para não ganhar peso. Como era atleta, já sabia como devia me cuidar.''
Devido à lesão Mara não conseguia sentir o bebê se mexendo internamente, mas com as mãos sobre a barriga, sentia os movimentos. A gravidez causou espanto em muitas pessoas. ''Uma vez me perguntaram como eu tinha engravidado. Respondi que foi do mesmo jeito que todo mundo'', afirma rindo.
Marcos nasceu de cesárea. Pouco tempo depois, enquanto ainda amamentava, em uma consulta de rotina seu médico descobriu a segunda gestação, de outro menino, Cézar Henrique, que também nasceu de cesárea. ''Minha mãe foi quem me ajudou a cuidar dos bebês. Ela trazia para eu dar banho, trocar e me acompanhava nas idas ao pediatra. Os meninos tiveram babá até uns cinco anos, mas eu sempre estava por perto, acompanhando quando começaram a engatinhar, a andar.''
Mesmo com o desafio de cuidar de dois bebês ao mesmo tempo, Mara afirma que não se arrependeu. ''É um desafio, mas até aqui valeu a pena'', afirma, hoje com os filhos adolescentes.


