No tempo em que tirar a prova dos nove virou coisa do passado e a calculadora se tornou a melhor amiga de muitos alunos - depois do computador, é lógico - com dois ou três ovos não só se faz uma omelete, como também dá para aprender Matemática. Os estudantes do mundo cibernético querem conhecer na prática aquilo que aprendem em sala de aula.
Para essa turma, fazer continha nos dedos é coisa de Matusalém. Nem é bom comentar muito sobre o método com a nova geração, acostumada aos cálculos até através do celular, sob o risco de passar atestado de ultrapassado. A onda agora é levar a sala de aula para a feira livre.
É o que fizeram ontem, os alunos da quinta série do ensino fundamental do Colégio Londrinense. Ao conferirem o preço de uma dúzia de ovos, eles aprenderam que dá, e sobra, para fazer um bolo ou uma omelete e ainda decifrar o que parece um mistério aos que estão dando os primeiros passos no universo dos números.
A lição de casa foi feita pelos pais, que sugeriram alguns produtos para que os alunos do professor de Matemática, Luciano Ferreira Maia, pesquisassem na feira.
Caneta, lápis, borracha e pranchetas nas mãos - e sem contar com a ajuda da calculadora - a garotada tinha dois problemas para resolver: além de pesquisar o preço dos produtos por quilo, dúzia e unidade, simulando uma compra, a turminha anotou tudo para em sala de aula fazer os cálculos necessários.
O segundo problema ficou para o final da aula. Para dar mais apetite ao leitor, a solução está no fim da matéria.
Há três anos, o ''tio'' Luciano desenvolve projetos, trocando a sala por alguns lugares inexplorados pela Matemática. Essa exploração já desembarcou nas Cataratas do Iguaçu, onde um grupo de estudantes pode se deslumbrar com a natureza e a possibilidade de transformar o conjunto de cascatas em números ao calcular o volume d'água.
''Observamos que os alunos, quando estão em sala de aula só trabalhando a teoria, não vivenciam a prática. Quero contextualizar as situações da Matemática no dia-a-dia'', explicou o professor.
Nessa conta, um sinal de adição ou subtração não faz diferença. O resultado será sempre positivo. ''Além dos conceitos matemáticos, os alunos aprendem a ser bons consumidores. Ao pesquisarem de banca em banca, adquirem o conhecimento de que não devem comprar do primeiro feirante, podendo achar preços mais barato'', avaliou Luciano.
Quem participou da aula garante que gostou: ''Claro! Nunca tinha vindo na feira. Aprendi que é importante pesquisar os preços. A pera numa banca custa R$ 6,50 e noutra R$ 4,50. O brócolis varia de R$ 1,50 a R$ 0,80'', se surpreendeu a estudante Ana Flávia Mortati, afirmando que vai passar a lição em casa para os pais.
Praticamente, o Fenômeno da Matemática - garantem os colegas de sala - Lucas Braz, 11 anos, disse que a aula foi divertida, além de aprender números decimais.
Na hora de explicar o que vai fazer com o que aprendeu, o Ronaldo das continhas, passou a bola para o xará Lucas Cardoso, 10 anos - um Ronaldinho Gaúcho das palavras. ''É importante aprender na prática porque na vida a gente usa a Matemática frequentemente''.
O último problema solucionado na feira pelos estudantes foi a atividade mais gostosa do dia.
Para aprender noções de probabilidade, o grupo visitou a barraca do pastel, onde não bastou só perguntar ao pasteleiro quantos tipos de recheios podem rechear pastéis e, a partir da informação, estabelecer possibilidades. Foi preciso experimentar.
Neste caso, nunca a comprovação empírica foi tão saborosa para a Ciência Matemática.

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