A mais antiga colônia italiana do Paraná comemora 120 anos
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de agosto de 1998
Andrea Vendramini 
Cerca de quatro mil pessoas são esperadas hoje para participar da festa de comemoração dos 120 anos da Colônia Santa Maria do Novo Tirol, localizada perto de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. Fundada em 1878 por 80 famílias vindas das regiões de Trento e Tirol, a colônia, formada hoje por 38 pessoas, é a mais antiga de imigrantes italianos existente no Estado e a única de trentinos atualmente no Paraná.
O livro Colônia Imperial Santa Maria do Tirol da Boca da Serra - 120 anos de História, será lançado durante a festa. Escrito pelos irmãos Ariel José Thomaz, 35 anos, e Antônio Thomaz, 51 anos - descendentes de imigrantes que fundaram a colônia - o livro, de 592 páginas, conta a história do povoado e traz a árvore genealógica das famílias que o fundaram.
ReproduçãoA festa que reúne a comunidade e seus descendentes se realiza desde o início da colônia, sempre com uma missa - aqui, a primeira igreja construída pelos imigrantesOs autores passaram cinco anos pesquisando. Este não é um livro de pretensões literárias, mas produzido com o objetivo de resgatar a história, disse Ariel Thomaz. A idéia de produzir o livro surgiu porque ainda não havia nada documentado em português sobre a história da colônia. O livro também traz fotos antigas e atuais. Os exemplares podem ser adquiridos pela telefone (041) 252-5053, por R$ 25,00.
História - A Colônia Imperial Santa Maria do Novo Tirol da Boca da Serra foi fundada em 1878 por cerca de 300 imigrantes. Chegou a ter cerca de 800 pessoas, mas as famílias começaram a partir no início deste século em busca de trabalho. As opções de sobrevivência se esgotaram com a conclusão da estrada de ferro que liga Curitiba a Paranaguá, obra que empregava muitos chefes de família.
A mudança do traçado de ferrovia - que passaria pela Colônia, mas foi desviada com a construção de um túnel - deixou a localidade isolada. A energia elétrica foi instalada no local apenas em 1978. Hoje, apenas seis famílias ainda vivem na colônia.
Programação - A festa pretende manter a tradição de aproximar os descendentes uma vez por ano e homenagear as famílias ligadas à colônia e que se espalharam por todo o Brasil. As comemorações vão começar às 10 horas, com um missa. Depois, será inaugurada um placa alusiva ao aniversário. Um almoço aberto à comunidade está marcado para o meio-dia.
A festa contará com a apresentação dos grupos de dança folclórica italiana Isola del Sole e de Santa Felicidade. Também vão se apresentar o coral San Julien e o Grupo Folclórico Português Catitas, de Piraquara. A partir das 9 horas, vários ônibus partirão da Secretaria Municipal de Cultura e Esporte de Piraquara até o local.


