Ponta Grossa Moradora ilustre da comunidade Palmeirinha, dona Áurea Bueno sempre deixou a porta de casa aberta para quem aprecia uma boa prosa. Ela chegou àquela vila de Ponta Grossa em 1950, acompanhada do marido, José Cizinando Bueno, mais conhecido como Zeca, o eletricista, e sua única filha natural, Elizabete.
Diante de fotografias com molduras ovais penduradas na parede da sala, ela narra com detalhes o desenvolvimento da região, lembrando a época de vizinhos andando até a Praça Getúlio Vargas para embarcar no ônibus rumo à ''cidade''. Em seus olhos espelham o tempo da ponte de madeira, de um metro e meio de largura, construída sobre a linha de trem.
Com a propriedade de pioneira, ''Polaca'', como é chamada pelos amigos, faz questão de enaltecer a memória de Juca Hoffmann, ex-prefeito de Ponta Grossa, em virtude da atenção dedicada por ele ao então vilarejo nos anos 60. ''Foi ele quem olhou para gente, transformando a Palmeirinha, não numa vila completa, mas dando uma estrutura a ela'', conta.
Inicialmente, dona Áurea se dedicou ao trabalho de enfermeira e bordadeira, porém ampliou horizontes com seus dotes culinários. Ela é especialista em bolos artísticos e doces cristalizados (seu figo é único). Logo, a doceira conquistou os lares das famílias mais tradicionais dos Campos Gerais.
Sua figura celestial é evidenciada também nas fotos espalhadas pela casa. Além de Elizabete, estão retratadas outras sete filhas adotivas, todas retiradas das ruas e acolhidas sob o teto dos Bueno. ''Todas são motivo de orgulho. Já são casadas, prendadas e boas esposas'', diz, orgulhosa.
Quando completou 70 anos, em 26 de novembro de 1997, foi homenageada pelo Rotary Clube de Ponta Grossa com um jantar repleto de discursos inflamados. Foi nessa instituição que a pioneira, então presidente de trabalhos comunitários, desenvolveu um projeto com meninas pobres, ensinado-as a bordar, pintar tecidos e, é claro, cozinhar.
O maior reconhecimento, entretanto, partiu dos amigos após ser escolhida com frequência para abençoar casamentos e batizar bebês nascidos na comunidade. Da noite para o dia, dona Áurea recebeu o título de ''Madrinha da Vila'', numa justa homenagem aos 158 afilhados. Isso em novembro de 1997. A atualização da contagem depende de uma simples ida à Rua Francisco Otaviano, onde mora a ''avó ideal''.

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