A luta por remédios excepcionais
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quinta-feira, 01 de novembro de 2007
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Um caixão, flores e velas. Os aparatos, que mais lembram um velório, estão sendo utilizados por pacientes e familiares numa manifestação que promete persistir nos próximos dias. O grupo - a maioria pacientes que necessitam urgentemente de medicamentos para tratamento de doenças graves - está acampado desde ontem de manhã em frente à sede da 17 Regional de Saúde, localizada no Centro de Londrina e garante só abandonar o local quando receber um parecer positivo do Governo do Estado quanto à entrega dos remédios.
Homens de bengalas e idosos que já nem têm condições físicas adequadas para suportar o forte sol se mantiveram firmes durante toda a manhã. O grupo também lembrou a morte de quatro pessoas que tiveram medicamentos suspensos pelo Governo do Estado, entre elas, o londrinense César Jorge Estevan, que faleceu em maio deste ano, vítima de uma hipertensão pulmonar depois de ficar mais de seis meses sem tomar o medicamento indicado para seu tratamento.
O relator da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Londrina, Jorge Custódio Ferreira, que acompanha o grupo, lembrou que uma comissão já estive em Brasília e em Curitiba, apresentando o caso a todas instâncias. ''Estivemos no gabinete de ministros, falamos com o presidente Lula e em Curitiba nem chegamos a ser recebidos. Esse ato é um recurso que encontramos para chamar mais uma vez a atenção do secretário de Saúde. As pessoas não podem esperar. Não existem irregularidades, todos os medicamentos solicitados são cadastrados na Anvisa e os pacientes passam por triagens, onde constam que eles realmente necessitam desses medicamentos'', disse.
A luta começou há mais de um mês, depois de um parecer do presidente do Tribunal de Justiça do Paraná de que ''a compra de tais medicamentos representa efetivamente, sérios riscos à ordem pública e econômica''.
O motorista aposentado por invalidez, Cícero Paulino da Silva, 38 anos, sofre de uma doença chamada espondilite anquilosanti, também conhecida por reumatismo crônico. Para combater a doença, ele precisa tomar um medicamento que custa cerca de R$ 8 mil por mês. Sem dinheiro para o remédio e com o repasse negado pelo governo, Cícero está há cerca de um mês sentindo dores intensas. ''Estava tomando uma amostra grátis que tinha no HU, mas agora acabou então não tomo mais. Estou conseguindo caminhar porque tenho tomando injeções de analgésico para a dor'', comentou.
Zeferino Estevão tem hepatite B crônica e precisa de um medicamento chamado Adefovir que custa R$ 600,00 mensais. Segundo ele, há um mês a doença tem avançado pela falta do remédio. ''Estou começando a ter problemas sérios no fígado que podem se tornar até mesmo um câncer'', lamentou.
O chefe da 17 Regional de Saúde, Adilson de Castro, disse que os medicamentos solicitados pelos integrantes do grupo não estão cadastrados na lista do Ministério da Saúde e somente quando houver a inclusão desses medicamentos à lista é que poderá haver a distribuição. ''Vamos tentar conversar com eles no final da tarde. O governo aguarda a inclusão desses medicamentos no Ministério da Saúde. O secretário de Saúde está em Curitiba e não terá condições de vir falar com eles'', disse.


