A criatividade é a solução de grande parte dos brasileiros para driblar a crise e reforçar o orçamento familiar. O número de vendedores ambulantes que não pára de crescer nas ruas das cidades é uma prova disso. E o brasileiro parece ter um estoque interminável de idéias quando o assunto é a luta pela sobrevivência.
  A Área Central de Londrina é o local de trabalho de profissionais informais que criam os mais diferentes modos de ganhar dinheiro. Um exemplo peculiar são os vendedores de café. Com garrafas da bebida a tiracolo, percorrem dezenas de quilômetros para servir o café quente para quem trabalha ou passa pela região.
  Com oito anos de experiência no ‘‘ramo’’, o aposentado Osvaldo Sézio Rangel, 64, é um dos vendedores de café mais antigos de Londrina. E um dos que tem uma das freguesias mais fiéis. Essa fidelidade ele atribui ao tempo de serviço e ao comportamento ético que marca seu trabalho. Além, é claro, da qualidade do café, do suco de laranja e do leite com chocolate.
  ‘‘Para vender tem que saber o local. Não dá para vender na frente de um bar ou de uma lanchonete. Não é certo porque o comerciante paga aluguel e o café dele pode até ser mais caro’’, ensina. Por isso, Rangel prefere caminhar em busca dos fregueses a ficar parado num ponto fixo. E com apenas uma moeda é possível degustar as bebidas comercializadas por Rangel. O preço varia entre R$ 0,25 e R$ 0,50.
  Como qualquer empresário, ele conta que uma pesquisa de mercado foi importante para consolidar a clientela. Ou, nas palavras do próprio Rangel, a dica é que ‘‘a pessoa tem de zelar pelo serviço.’’
  ‘‘Tem que comprar café bom e fazer um suco natural para agradar o freguês. Eu fui trocando a marca do café até achar a melhor. Depois, a freguesia fica fiel, sempre compra com a gente’’, garante.
  E também como qualquer outro negócio, ele diz que sofre com a ameaça constante da inadimplência. ‘‘Tem os que tomam o café todo dia e de vez em quando não têm dinheiro para pagar. Vou deixar de vender? Não. Faço fiado e recebo depois. Mas alguns vão embora e nunca pagam. A gente sempre acaba perdendo um pouco’’, resigna-se.
  E para quem pensa que a vida dos vendedores de café é fácil, é bom lembrar que eles têm que acordar bem cedo para preparar a bebida, além de buscar a laranja para o suco. Compensa. No final das contas, tirando as despesas, Rangel consegue dobrar o valor da aposentadoria que recebe. E assim cobrir as despesas da casa. Contando sempre com a criatividade característica do povo brasileiro.

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