A luta diária de duas Anas
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terça-feira, 14 de julho de 2009
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
Ana Paula Rodrigues vai até a janela para ver o ônibus de longe. Tenho que saber se é adaptado. Se não, preciso correr até o outro ponto, explica. Em poucos segundos ela volta e fala aliviada: Que bom, é adaptado. Esse é o início da rotina da mãe de três filhos, que por volta das 12h30 se apressa para ver as condições do ônibus, ou toda a programação deve ser mudada rapidamente.
Depois disso, a dona de casa tem apenas mais alguns minutos até que o ônibus passe novamente. Agora eu termino de preparar as crianças e já vou para o ponto com a Aninha, diz ela carinhosamente, referindo-se à filha mais velha, Ana Gabrielly, de nove anos. Sempre muito atenciosa, Ana Paula dá um beijo nos outros dois filhos, despede-se e vai para o ponto de ônibus.
As crianças estudam perto de onde moram e são levadas por uma sobrinha. Já Ana Gabrielly vai demorar um pouco mais até chegar ao seu destino final: a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae). Até lá serão muitos quilômetros que vão exigir uma certa dose de paciência. Atualmente, elas moram no Jardim Marabá, na Região Leste. Morávamos em Lerroville e, para trazê-la até aqui, tinha que pegar cinco ônibus. Agora são só dois, menos da metade, brinca.
Apesar do bom humor, o dia a dia na vida das duas não é nada engraçado. Ana Paula tem que se desdobrar para dar conta da prole e principalmente de Ana Gabrielly, que teve paralisia cerebral no nascimento e hoje precisa de atenção especial. Tudo é muito difícil, trabalhoso, mas ela só tem a mim. Tento sempre ver o lado bom das coisas, lutando pelo melhor dos meus filhos.
Além da sobrinha, ela conta com a ajuda do segundo marido. O pai das crianças me abandonou quando a menor tinha cinco meses. Agora, meu marido é quem me dá apoio. Porém, mesmo com a ajuda, o trabalho pesado fica com ela, já que o marido trabalha viajando. Por isso, para que o tratamento de Ana Gabrielly não seja interrompido, Ana Paula se esforça e enfrenta os coletivos diariamente; eventualmente, duas vezes por dia.


