A luta de dona Sibila
Curitiba - Na comunidade da Vila Democracia, em Almirante Tamandaré (Região Metropolitana de Curitiba), Sibila Schiemelfenig, 65 anos, tenta garantir o desenvolvimento saudável de 30 crianças. Ela é voluntária da Pastoral da Criança e há 10 anos coordena os trabalhos na comunidade.
Uma vez por mês, dona Sibila enfeita sua casa com bexigas coloridas e aguarda a chegada das crianças para o encontro chamado "Celebração da Vida". Com uma balança manual, ela, sua filha Jovane, 37, e mais uma auxiliar de apoio pesam cada uma das crianças de 0 a 6 anos. Depois, os pequenos e suas mães recebem uma refeição nutritiva e participam de um momento de evangelização.
Ela também faz visitas domiciliares para dar orientações. Encontra famílias com muitos filhos, que dependem da coleta de materiais recicláveis, e crianças que convivem com o lixo. As ruas não são asfaltadas, algumas casas não possuem saneamento básico e outras correm risco de desabamento. Sem auto-estima, muitas mães não se sentem estimuladas a cuidar da casa e dos filhos. Além do acompanhamento, as voluntárias buscam auxílio nos casos mais graves.
Dona Sibila também é um exemplo de que a causa é muito mais importante do que um segmento religioso. Mesmo sendo evangélica, se envolveu na luta por uma causa promovida pela Igreja Católica. "Tem muita criança que precisa, que passa fome, frio. Alguém tinha que fazer alguma coisa", diz. A voluntária Jovane acredita que não é necessário disponibilizar bens materiais. "Como não tinha o que doar, me doei. Antes achava que não tinha tempo, mas o tempo é a gente quem faz", conta. (C.G.B)





