A longa maratona para chegar ao trabalho
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quinta-feira, 30 de abril de 2009
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
No cotidiano do ótico Edy Antônio Paulino, 35 anos, há um abismo de, pelo menos, três horas perdidas por dia. Esse é o tempo mínimo que ele passa dentro de um ônibus no trajeto entre sua casa e o trabalho. Paulino mora em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), e trabalha no centro da Capital. São cerca de 30 quilômetros de distância entre a casa dele e Curitiba.
Como Paulino, milhares de pessoas em Curitiba começam mais um dia de trabalho enfrentando ônibus lotados, acidentes, trânsito lento, motoristas estressados. Pelo sistema de transporte coletivo de Curitiba circulam, nos dias úteis, mais 2,3 milhões de passageiros -450 mil deles na RMC. São 1.910 ônibus na rede integrada, 355 linhas (110 na RMC), 30 terminais, cerca de 490 mil quilômetros percorridos por dia pela frota.
É nesse montante astronômico de números, combustível queimado, penus sobre o asfalto, que o trabalhador da Capital se desloca. Mesmo não considerando o serviço em uma ótica pesado, Paulino conta que já chega ao trabalho desanimado, cansado do trajeto no ônibus cheio. Seu dia é pautado pelo horário do transporte coletivo. Acorda às 6h45, pega o ônibus às 7h30, chega em Curitiba às 8h50, entra na ótica às 9 horas. ''Dá tempo de tomar só um café'', diz. Sacoleja apertado por uma hora e 20 minutos pela BR-116. A cada recomeço, tenta não se deixar abater pela viagem. ''Quando chego, trabalho o psicológico para não desanimar. Se tem que trabalhar, tem que trabalhar'', ensina, esperando que algum dia o transporte seja mais rápido e confortável.
Segundo a Urbanização de Curitiba S.A. (Urbs), órgão responsável por administrar o transporte coletivo de Curitiba e região metropolitana, a inaguração, no dia 9 de maio, da linha Pinheirinho-Carlos Gomes, deve desafogar o número de passageiros e o tempo de trajeto na região. A linha é a a primeira do eixo de transporte coletivo Linha Verde, que liga o Sul da cidade ao Centro,
Segundo a Urbs, o trajeto entre o terminal do Bairro Pinheirinho e o Centro leva 35 minutos. Com a Linha Verde, o tempo pode cair em até 15 minutos. É essa linha que atende aos moradores de Fazenda Rio Grande, como Paulino. Além disso, serão 35 mil pessoas a menos que deixam de circular no eixo sul e migram para Linha Verde. Hoje, o eixo é mais inchado da cidade, contemplando mais de 260 mil passageiros por dia em bairro como Pinheirinho, Capão Raso e Portão, além de municípios da RMC.
Paulino deve ser um dos beneficiados, como espera. ''Dizem que quando a Linha Verde ficar pronta, vai melhorar. Só acredito vendo'', desconfia. Ele sabe o que diz, pois no caminho de volta à Fazenda Rio Grande, o mesmo drama: empurra, sacoleja, balança, aperta, freia, anda, aperta mais. E Paulino, de olho no relógio, na esperança de não chegar tarde em casa. Pega o ônibus das 19h15. ''Se não tiver acidente na BR, chego às 20h30. Se tiver -o que acontece quase sempre- o horário é depois das 21h30'', relata. Daí come alguma coisa e ''desmaia'', como conta. Quando o despertador toca no dia seguinte, começa tudo de novo.


