A dona de casa Maria Ribeiro da Silva, 74 anos, moradora da Vila Casoni (Área Central); a zeladora Iracema Maria Paulina, 49, do Jardim Viena (Zona Norte); o pedreiro Aparecido Rodrigues de Carvalho, 61, do Jardim Perobal (Zona Sul); o universitário Thiago de Menezes Caldas, 22, do Jardim Mazzei (Área Central).
Estes londrinenses enfrentavam uma angústia em comum anteontem à tarde: as dúvidas sobre quando vão poder portar um documento de identidade e quando vão poder resolver seus problemas relacionados à falta do documento.
Eles já foram informados que esperar por 15 minutos, meia hora, na repartição do Instituto de Identificação do Paraná, órgão da Polícia Civil, não é o principal obstáculo para isso. Na verdade, é só o começo. Depois que eles descerem a escadaria da repartição cujas paredes claras estão tingidas por milhares de digitais e ganharem o Calçadão (Área Central) começa uma espera bem mais longa, de pelo menos 60 dias.
É nesta situação que estão três mil londrinenses, segundo informações da Polícia Civil, responsável pela expedições.
Neste meio tempo, a dona de casa Maria não vai poder entrar com a papelada para se aposentar. Em uma visita a uma das filhas, no Jardim Santiago (Zona Oeste), ela perdeu a primeira via da Cédula de Identidade. Com isso, a viúva perdeu um pouco da esperança de receber o benefício ainda este ano. ''Já estava desanimada porque me disseram que eu não contribuí com o INSS. Agora, sei que vai demorar mais ainda. E estou precisando tanto deste dinheirinho todo mês.''
A zeladora Iracema também estava na fila de verdade para entrar na fila virtual. Casada há quatro anos, ela se cansou de ter problemas com sua conta bancária por ainda usar o nome de solteira na carteira de identidade. ''Estou sossegada mas para quem tem pressa dois meses é muito tempo'', avalia.
Carvalho, o pedreiro, parou de trabalhar há quatro anos. Caminha com dificuldades ''meus dois joelhos doem e tomo remédio direto'' mesmo com a bengala, objeto inseparável. Mora com três filhos e se sustenta com uma cesta básica doada pela Ação Social da prefeitura.
O sexagenário sentiu, enfim, necessidade de portar sua primeira Cédula de Identidade. E que necessidade. Quer aliviar a pobreza ele pediu ajuda da Ação Social até para pagar a taxa de R$ 9,17, relativa à expedição da primeira via do documento recebendo a aposentadoria por invalidez. Cada mês de espera pela identidade é um mês a menos para receber o benefício.
Informação do escritório local do Instituto de Identificação: só em Londrina são pedidos de 3 a 3,5 mil novos documentos todos os meses. Mas a morosidade nada ter a ver com este volume, que cresce substancialmente em dezembro e janeiro meses em que os adolescentes emitem o RG para fazer a matrícula escolar.
O ''gargalo'' está na sede do órgão em Curitiba. Em decorrência de aposentadorias não repostas, há um déficit de 50 pessoas no instituto e acúmulo de trabalho para a equipe reduzida. A pesquisa para checar a documentação dos pleiteantes ao documento já é normalmente demorada. São checados nome e a impressão datiloscópica de cada solicitante.

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