Trajeto que começa no terminal Vivi Xavier (zona norte) e termina no conjunto São Lourenço, no extremo sul
Trajeto que começa no terminal Vivi Xavier (zona norte) e termina no conjunto São Lourenço, no extremo sul



Em apenas uma viagem de ônibus, é possível percorrer três regiões de Londrina e conhecer bairros, pessoas e realidades bem diferentes que coexistem na cidade. Considerada a mais longa do transporte coletivo do município, a linha 904 percorre 35 quilômetros em um trajeto que começa no terminal Vivi Xavier, na zona norte, e termina no conjunto São Lourenço, no extremo sul.

A quilometragem cumprida a cada viagem é a mesma percorrida entre Londrina e Arapongas. A bordo do 904, porém, a paisagem é bem diferente. Conforme informações da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), o ônibus passa por mais de 15 bairros e quatro terminais: Vivi Xavier, Oeste, Catuaí e Acapulco. Nestes pontos, permite integração com 65 linhas que vão para todos os pontos da cidade.

Por ser uma linha perimetral, o 904 não passa pelo Terminal Central. A função dessa categoria, conforme a CMTU, é justamente ligar regiões periféricas sem necessidade de ir ao centro para trocar de ônibus. A linha mais longa do transporte coletivo de Londrina transporta diariamente 2.250 passageiros, em média, que para percorrer os pontos extremos levam quase uma hora e meia.

Imagem ilustrativa da imagem A Londrina que cabe no ônibus



A reportagem da FOLHA experimentou viajar por todo o trajeto. O ônibus sai do Vivi Xavier, passa pelo terminal Oeste, percorre a avenida Arthur Thomas e um trecho da PR-445 até chegar à UEL (Universidade Estadual de Londrina). A partir da universidade, o passageiro tem a sorte de admirar o horizonte do município, com todos seus edifícios, no trajeto pela mesma rodovia que leva ao shopping Catuaí.

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A próxima parada é o Terminal Acapulco - onde o carro atende passageiros que vieram de outros bairros da zona sul - para então percorrer o trecho final da viagem, passando por conjuntos como Ouro Branco, Parque das Indústrias e Franciscato até chegar ao São Lourenço. A viagem de volta passa pelos mesmos pontos.

A 904 concentra pessoas e paisagens muito diversas. O cobrador João da Silva, que trabalha neste ofício há seis anos, mas atua na linha há pouco mais de um mês, conta que o coletivo transporta os mais diferentes perfis. "Aqui tem de tudo: idosos, trabalhadores, gente muito carente e estudantes das universidades. O pessoal fica tanto tempo no ônibus que a gente acaba fazendo amigos", brinca.

Três motoristas se revezam no trajeto, mas Silva permanece do início ao fim. "A hora mais lotada é perto do almoço, quando passamos nas escolas", conta ele, que graças ao ônibus está conhecendo lugares de Londrina onde nunca tinha estado. "O São Lourenço era um bairro que eu não conhecia", destaca.

Próximo à UEL, o passageiro tem a sorte de admirar o horizonte do município, com todos seus edifícios
Próximo à UEL, o passageiro tem a sorte de admirar o horizonte do município, com todos seus edifícios



INÍCIO DE VIAGEM
No trecho inicial, o trajeto inclui o conjunto de habitações populares Vista Bela (zona norte) e os tradicionais bairros Santa Rita e Bandeirantes (zona oeste). Nestes locais, muitos passageiros viajam com destino ao terminal Oeste para buscarem atendimento médico ou mesmo resolver pendências no centro da cidade.

É o caso da dona de casa Iraci Rodrigues. Ela mora no Vista Bela e, acompanhada das filhas Graziela, 14, e Gabriela, 9, usa o 904 para fazer integração e chegar ao centro. "Hoje vamos saber mais informações sobre um curso profissionalizante que minha filha ganhou, mas também uso essa linha para ir ao posto de saúde do Leonor (que atende 24 horas) ou levar a mais nova ao Hospital das Clínicas da UEL", contou.

A universidade é o destino mais distante que ela vai com o ônibus. Apesar de saber que é possível chegar ao shopping Catuaí, Rodrigues garante que este destino não faz parte do hábito da família. "Sei que vai até o shopping porque usava essa linha quando trabalhava perto, mas nunca vamos até lá passear. Tudo custa muito caro, com cinco filhos é impossível", analisa.

Para Denise Isabela Paião, o 904 trouxe oportunidades. Isso porque ela mora na zona norte, conseguiu um trabalho temporário na ExpoLondrina e usou a linha por 15 dias para fazer baldeação no Terminal Oeste e assim chegar ao Ney Braga. "Nem sabia que ia até a zona sul, o máximo que já cheguei foi à UEL", contou.

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