De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada 15 segundos uma criança é vítima de violência no mundo. No Brasil nem todos os adultos estão preparados ou interessados em ajudar as vítimas a saírem desta situação, por isso falar de abuso sexual contra a criança é delicado. O tabu em torno do tema inverte os valores sociais e a falta de abordagem acaba protegendo o agressor enquanto a vítima fica mais vulnerável a cada dia.
O assunto faz parte do cotidano de três psicólogas que atendem vítimas de violência em um dos serviços da rede de proteção à criança em Londrina. Diante do problema que elas veem se repetir a cada dia, Alessandra Rocha Santos Silva, Cristina Fukumori Watarai e Sheila Maria Prado Soma decidiram unir forças em busca de uma maneira de auxiliar crianças, pais e educadores a identificar e combater a violência sexual. Assim surgiu ''O Segredo da Tartanina'', um livro que conta a história de uma tartaruga vítima de abuso que não sabe como sair daquela situação. ''Buscamos abordar o assunto de uma forma lúdica e leve. A ideia é trabalhar com a prevenção e a partir da leitura os pais e professores podem iniciar a conversa com as crianças'', disse Cristina.
O livro traz desenhos coloridos e espaços para o leitor fazer seus próprios desenhos. A história se passa no fundo do mar e mostra a personagem principal, que a partir do inicio da violência começa a carregar um baú. ''O baú representa todo o fardo que a criança leva, é o medo, a dúvida, o peso, a vergonha daquela situação. Estes são sentimentos presentes na vida das crianças vítimas de abuso sexual'', afirmou.
Valorização
As psicólogas alertam os pais e educadores para que prestem atenção ao comportamento dos filhos, já que a criança muda quando é vítima de violência sexual. ''É importante que os professores entendam que a partir do momento que a criança conta uma situação de abuso ela precisa de ajuda e é função do adulto orientá-la e acionar o Conselho Tutelar. Alguns professores se limitam ao conteúdo pedagógico e não dão oportunidade para as crianças falarem'', explicou Alessandra.
Ela afirmou que nem sempre a criança tem diálogo com os pais e que por conta disso acabam buscando ajuda fora de casa. ''Os pais devem valorizar os sentimentos do filho. Identificamos que quase 100% das vezes que uma criança fala sobre uma situação abusiva ela realmente sofreu a violência'', destacou. O livro traz informações sobre o funcionamento da rede de proteção à criança, como o Conselho Tutelar e a polícia.
A história da Tartanina termina bem. Para as psicólogas, a função social do livro que escreveram é a prevenção. ''É impossível trabalhar com um tema como este sem se envolver e isso ultrapassa a questão profissional. Diariamente ouvimos relatos fortes, é necessário estrutura emocional para trabalhar com estas crianças'', disse Alessandra. Elas disseram que os pacientes são o principal motivo de terem escrito o livro. ''Temos amor à causa. Queremos que esta publicação seja um alerta e mostre para as crianças a diferença entre um carinho e uma agressão'', finalizou Cristina.
O livro ''O Segredo de Tartanina'' será lançado na tarde do dia 18 de maio na Livraria Curitiba, no Shopping Catuaí, em Londrina.

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