A linha que separa o Paraná
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Luciano Augusto <br> Reportagem Local 
Como costureira em Arapongas, no Norte do Estado, Eliane de Lima Almeida, 31 anos, está acostumada a unir dois lados usando linha e agulha. Mas até hoje ainda não conseguiu entender a linha que divide em duas sua casa, localizada na Rua Chorão, no bairro Palmares. O imóvel fica sobre o marco imaginário e a poucos metros do monumento erguido às margens da BR-369 que representa a localização exata do Trópico de Capricórnio, que divide o Paraná em dois e que influenciou na história e na cultura dos paranaenses.
A costureira afirma já ter ouvido falar mas não faz a menor ideia do que seja o Trópico de Capricórnio. ''Lembro que estudei isso na escola mas não sei o que é, mas acho que na minha vida não muda nada.'' Muda sim Eliane...
O professor de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Francisco Mendonça, esclarece que os trópicos de Capricórnio - no hemisfério sul do Planeta - e o de Câncer - no hemisfério norte - são marcos referenciais. ''Os dois indicam a área onde o Sol brilha com o máximo de intensidade, tanto em direção ao Sul quanto em direção ao Norte'', continua. Como a Terra é esférica, os raios solares não incidem com a mesma intensidade em todo lugar.
O Trópico de Capricórnio é o ponto mais ao sul da Terra em que o sol consegue ficar a pino (o chamado Zênite Solar). Num único dia do ano - o solstício de verão, em 23 de dezembro -, os raios que atingem ao meio-dia esta região não possibilitam a formação de sombra. ''Este é o dia mais claro e o mais longo do ano no Hemisfério Sul'', cita o geógrafo. No Norte, o solstício ocorre no dia 21 de junho.
O professor explica que, sendo assim, os trópicos têm influência direta no clima, na temperatura e, por consequência, na forma de ocupação da região e na cultura das pessoas. ''Ao sul da linha do Trópico, o Brasil tem características de região temperada, com temperaturas mais amenas, chuvas mais distribuídas. Essas características atiçaram, por exemplo, a cobiça dos europeus por lembrar o clima comum no sul da Europa. É por isso que alemães, italianos e outros povos europeus ocupam primeiro estas regiões'', observa.
Mendonça ensina que os trópicos foram descritos pela primeira vez na Grécia Clássica, 300 anos a.C. Aristoteles propôs que a Terra seria redonda e estaria dividida em cinco zonas com três características distintas. Haveria uma zona tórrida impossível de ser habitada por causa das altas temperaturas. Hoje seria o equivalente à Zona Tropical, que fica entre os trópicos e onde o sol incide a maior parte do tempo. Destacou também a zona temperada, com temperaturas mais agradáveis e a única onde os homens poderiam viver. Era onde os gregos viviam. A outra zona foi chamada de Frígida - hoje zona fria ou polar - onde também não haveria vida humana.
Além do Paraná, no Brasil o Trópico de Capricórnio passa por Mato Grosso do Sul e São Paulo. Depois, atravessa o Oceano Atlântico, a África, Oriente Médio, Oceano Índico, Austrália, Oceano Pacífico, Chile, Argentina e Paraguai.


