'A libra abriu um mundo desconhecido'
Quem vê José Carlos Oliveira hoje, aos 44 anos, pode não acreditar que até pouco tempo ele mal conseguia se comunicar com as pessoas. Deficiente auditivo, só foi diagnosticado aos 13 anos e sua comunicação resumia-se a apontar os dedos. Foi somente com 33 anos que um mundo novo, cheio de possibilidades, começou a surgir, quando a linguagem dos sinais entrou em sua vida.
''Antes disso, tudo era mais difícil. Na escola, não conseguia entender as palavras. Lia, mas não compreendia. A libra veio abrir um mundo até então desconhecido. A cada coisa que aprendia, queria saber mais. Passei a ter mais coragem.'' Um divisor de águas que é confirmado com sua história e suas conquistas, depois de muitos obstáculos pelo caminho. ''Como não conseguia me comunicar, conseguia apenas alguns postos de trabalho. Trabalhei numa fábrica, onde realizava os serviços mais pesados. Sempre me davam o que era mais difícil, o pior mesmo'', recorda.
Mas a libra era o que precisava para correr atrás do ''tempo perdido''. De aluno, passou a professor de libras, assumiu a Pastoral dos Surdos de Londrina e, desde então, não parou mais de crescer. Começou a faculdade de Letras e Inglês em 2005 e já no ano seguinte engatou outra faculdade, dessa vez Letras e Libras. No ano passado deu início a uma pós-graduação, que já concluiu.
E ainda tem mais. Se inscreveu neste ano num curso de mestrado e acaba de passar em primeiro lugar no concurso em uma Universidade Federal para lecionar Libras. ''A vida não tem limites, o limite somos nós que colocamos nela. Há regras, mas limites nunca. Se a pessoa acreditar, vai conseguir. Vão surgir dificuldades, como para qualquer pessoa. Mas isso não pode ser motivo para desistir. Por isso, é importante que as famílias sempre deem apoio'', ensina Oliveira. (Marian Trigueiros/Reportagem Local)





