Numa teia para expropriar os herdeiros, a procuradora dos descendentes de escravos e libertos na questão foi Iracema Trinco Ribeiro, esposa de João Trinco Ribeiro, suposto comprador dos direitos hereditários dos negros.
  Anos mais tarde, o juiz Amoriti Trinco Ribeiro, filho de João Trinco Ribeiro, da Comarca de Pinhão, concede à Cooperativa Agrária Mista de Entre Rios a posse definitiva das terras. Dona Ondina Maria de Jesus, uma das mais idosas moradoras do assentamento Paiol de Telha, lembra daquele tempo. ‘‘Eu era viúva. Saí do Fundão com quatro filhos e dois sobrinhos, quando houve a tragédia deles queimarem tudo. Os filhos tinham ido trabalhar no mato. Os jagunços disseram: ‘Sai daqui, porque aqui não é seu’. Respondi: ‘Sair para onde, sem dinheiro’? ‘Ou sai ou queimamos a senhora com as suas crianças’. Então, fui levar comida para os meus filhos. Quando voltei estava tudo queimado’’, narra a mulher atracada ao horizonte iluminado pela possibilidade de poder voltar para a invernada, que em 1974 teve uma escritura pública de compromisso de compra e venda de terras lavrada entre Pacheco e a Cooperativa, que supostamente teria adquirido 1.600 alqueires restantes da herança dos escravos e libertos de dona Balbina.
  Pacheco teria vendido uma propriedade que não lhe pertencia, como tentam atestar os negros, desencadeando a expulsão das últimas 70 famílias.
  Desde que os remanescentes quilombolas foram expulsos, o retorno para a invernada é sinônimo de liberdade, expectativa que toma conta até das novas
gerações.
  Na próxima edição, acompanharemos a história do líder quilombola Domingos Gonçalves dos Santos, que esteve à fente de várias ocupações. Também conheceremos moradores do assentamento Paiol de Telha, que estão endividados não conseguindo financiamentos para o plantio. Ainda conheceremos as novas lideranças quilombolas e os passos que a certificação da Fundação Palmares dará no processo de devolução das terras, como esperam os herdeiros da Invernada Paiol de Telha, entre os quais seo Geninho, Sílvio e dona Ondina, para quem a liberdade se mistura com o sentimento de saudade.

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