Em 1956 adentrei pela primeira vez na Justiça do Trabalho como ‘‘solicitador acadêmico, estagiário de João Kracik Neto’’, onde atuei durante largos anos. Havendo recebido o diploma de Bacharel em Direito em 1959, pela gloriosa Faculdade Federal de Direito, continuei na Justiça do Trabalho, como advogado inscrito, onde estou até hoje.
Agora em maio de 1997, com os olhos cansados, ombros arqueados de tanta luta, continuo, das 8h às 18h, diariamente, na lida de cada dia, ouvindo súplicas e queixas, enfrentando jurisprudência, sempre exclusivamente na Justiça Laboral, na mais pura fidelidade à Justiça do Trabalho, nesta luta começada há mais de 40 anos.
Conheci o primeiro juiz trabalhista do Paraná, mas minha advocacia iniciou-se realmente com o simples e simplório Júlio de Assunção Malhadas, ali no quarto andar da Marechal Deodoro 469. Seguiu-se primeira mudança, embora provisória, para depois ir a nossa Justiça para as atuais instalações, na Rua Vicente Machado, onde apertadamente continua a funcionar, pois o número de juntas já aumentou e precisa crescer muito mais.
Juízes? Conheci-os todos, togados e classistas, acompanhando muitos até seu último destino no cemitério. Todos vivem na saudade do passado, e alguns são mais lembrados do que outros... Falar dos classistas seria perigoso. Guardo deles a mesma opinião que tinha há 40 e tantos anos atrás; não preciso repetir, aqui e agora, o que penso desses juízes. Não é local e nem hora, mas valeria lembrar, mesmo como singela homenagem, de um juiz classista, representante dos trabalhadores, que entrou na história como um dos mais cultos de todos os juízes que já engalanaram nossa Justiça do Trabalho: Alderico dos Reis Petra, que viveu no sindicalismo operário do Paraná durante mais de 50 anos. Uma cultura notável.
Juiz classista, obreiro, que começou sua história na Junta do Júlio Malhadas, ainda lá na Avenida Marechal Deodoro, seguindo, dali para frente, por todos os mesmos endereços que a Justiça do Trabalho ocupou no Paraná. Um homem de bem que soube entender o vocalato em toda a sua expressão; que votava vencido, sempre por escrito, com fundamentação do voto - e normalmente assegurava um recurso notável ao advogado perdedor.
Informatização - Por último, a derradeira conquista: basta que os advogados tenham em seus escritórios um sistema de computação com fax/modem e acessem o Rempac para estarem absolutamente informados de tudo o que quiserem saber na área do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9ª Região. Não é à toa que o juiz José Fernando Rosas, presidente do TRT, veio ao plenário principal do sodalício paranaense como representante da classe dos advogados. Na ocasião da inauguração do Rempac, estiveram presentes também o presidente local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Alfredo de Assis Gonçalves Neto, além do corregedor geral da Justiça do Trabalho, Ministro Almir Pazzianotto (também no TST como representante dos advogados).
Evidentemente a Justiça do Trabalho precisa melhorar. Já faz milagres com o pessoal que tem. Mas é imperativo que haja mais Juntas de Conciliação e Julgamento, mais Turmas em nosso Tribunal e, logicamente, pelo menos o dobro do número de funcionários para poder dar conta da verdadeira avalanche de processos que assola a Justiça do Trabalho em suas duas instâncias regionais. Mais gente, por favor!
Assim, com os ombros cansados de tanta luta na Justiça do Trabalho, se tivéssemos de recomeçar faríamos tudo de novo, como se fora um modelo, militando exclusivamente nos chãos da Justiça Laboral, que, apesar de amedrontadora para quantos não a conhecem é, ainda, para a grande massa dos assalariados brasileiros a derradeira e completa esperança, pura realidade, do conceito de justiça neste brilhante Brasil.
q João Régis Fassbender Teixeira é advogado em Curitiba.

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