A irmã de Londrina do outro lado do mundo
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sábado, 02 de abril de 2011
Fábio Cavazotti <br> Especial para a FOLHA 
Nishinomiya - Imagine uma cidade com aproximadamente 500 mil habitantes num dos países mais desenvolvidos do mundo. Acrescente algumas praias no verão e um inverno emoldurado por uma neve fina que sopra das montanhas. Pense ainda num sistema exemplar de transporte público e em educação e saúde de qualidade para todos. Pois é, esse lugar existe: trata-se de Nishinomiya, a cidade coirmã de Londrina no Japão.
Localizada na Província de Hyogo, na costa Sudeste da terra do sol nascente, essa cidade, separada do Norte do Paraná por pelo menos 30 horas de voo e 12 horas de fuso horário, consegue manter uma curiosa proximidade com a capital pé-vermelha.
Só não vá se surpreender com o nome pelo qual somos conhecidos por lá. Em razão da diferença fonética entre as duas línguas (os japoneses não utilizam a letra L), nossa cidade é sempre chamada de ''Rondorina''. Isso mesmo, 'Rondorina'', dita de forma bem pontuada e muito simpática.
''Nossa amizade com vocês é antiga, o que nos deixa muito satisfeitos. Londrina é uma cidade famosa pela agricultura, e o intercâmbio cultural é algo que prezamos bastante'', diz o prefeito de Nishinomiya, Masahiro Kono. O tratado de irmandade entre os dois municípios foi assinado em 1977.
Em Londrina, a referência principal à cidade-irmã é a Praça Nishinomiya - localizada na Avenida Santos Dumont, próxima ao Aeroporto José Richa. Em Nishinomiya, os sinais da amizade estão presentes na galeria principal da Prefeitura, que mantém uma exposição permanente de fotos e informações sobre Londrina, e na curiosidade que os habitantes demonstram por Londrina e pelo Brasil.
Nossa coirmã é uma típica cidade do Sudeste japonês: espremida numa estreita faixa de terra entre as montanhas e o mar, é densamente povoada, cortada por uma organizada malha ferroviária e bastante industrializada. Apesar de ocupar área 16 vezes menor, tem uma população quase igual à de Londrina (veja quadro).
A bicicleta é adotada com meio de transporte pela maioria da população - como atestam os lotados bicicletários próximos às estações de trem. Os pedestres são bastante respeitados pelos motoristas. Além disso, em locais de grande movimento, guardas uniformizados utilizam pequenas bandeiras para dar ainda mais tranquilidade aos pedestres e ciclistas.
A economia de Nishinomiya baseia-se na indústria de alimentos. Deste segmento, destacam-se as fábricas de saquê, aguardente japonesa produzida a partir do arroz. O saquê de Nishinomiya goza de fama nacional. ''Para um bom saquê, é muito importante a qualidade da água. Temos a água mais pura, que vem das montanhas'', conta o prefeito. Além do saquê, que responde por 25% das indústrias locais, destaca-se a produção de embutidos e de cerveja.
Imigração
Outra característica marcante de Nishinomiya é que se trata de uma cidade dormitório - uma expressão que, no Japão, tem conotação bem diferente do Brasil. Por se localizar entre as cidades de Osaka e Kobe, que somam 5,5 milhões de habitantes, seus bairros são disputados por profissionais liberais e executivos das metrópoles vizinhas.
''Nishinomiya oferece tranquilidade e preços atrativos. Com a facilidade dos trens, muita gente prefere morar em Nishinomiya e continuar trabalhando em Kobe e Osaka'', explica Marcelo Fukushima, professor de Economia nascido em São Paulo e que mora há 15 anos no Japão.
Um assunto que enche de emoção os habitantes da cidade é a imigração japonesa para o Brasil. Na recepção aos brasileiros que estiveram na cidade, o prefeito e seus principais secretários foram presenteados com um livro de fotografias dos primeiros imigrantes japoneses no Norte do Paraná. A emoção foi imediata. ''Que coisa maravilhosa. Para nós, isso equivale a uma viagem no tempo'', emocionou-se o prefeito Kono.
* Fábio Cavazotti é membro do Instituto Ecometrópole e viajou ao Japão a convite da Japan International Cooperation Agency (JICA)


