A invasão das duas rodas em Curitiba e região
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Toda a população da cidade de Itaperuçu (Região Metropolitana de Curitiba). São 22 mil motoboys que transitam hoje por Curitiba e região. De janeiro a maio deste ano, o número cresceu 12% em relação a 2007. Somados aos usuários comuns de moto (não trabalhadores), o contingente de duas rodas representa 50% dos acidentes de trânsito no Paraná, segundo dados do Sindicato do Motofrete.
Em um trabalho de prevenção, recentemente foi formado um grupo de trabalho envolvendo a Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria de Trabalho, Emprego e Promoção Social, donos de empresas de motoboys e sindicatos da categoria, Detran, BPTran e Diretran para discutir a condição de trabalho, aspectos da saúde e capacitação profissional dos motoboys.
Segundo a coordenadora de Educação para o Trânsito do Detran do Paraná, Maria Helena Gusso Mattos, os esforços se concentram principalmente em retirar os trabalhadores da informalidade. ''Outro objetivo é que as empresas criem identificações para os seus entregadores. Isso evitaria que motoboys em serviço sejam confundidos com criminosos que se aproveitam da situação para invadir residências ou assaltar nas ruas. É uma medida de segurança para toda a população'', conclui. De acordo com Maria Helena, o Detran também atua na conscientização, principalmente com relação à segurança, do usuário de moto em geral, com campanhas de divulgação e material educativo.
Em outra frente de trabalho, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Paraná (órgão do Ministério do Trabalho) reuniu representantes da categoria, órgãos públicos e firmas do ramo para uma audiência pública, no início de maio. Cerca de 500 empresas foram convidadas a participar, mas só 10% delas compareceram. A audiência teve o objetivo de incentivar empresas a fazer o registro em carteira dos motoboys. Segundo o superintendente, João Graça, foi dado um prazo de 60 dias para que as empresas regularizem a situação trabalhista. Encerrado esse prazo será feita uma fiscalização para depois fazer a autuação das irregulares.
De acordo com o Sintramotos, dos 22 mil motoboys de Curitiba, 70% trabalham na informalidade. Segundo Tito Mori, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Condutores de Veículos Motonetas, Motocicletas e Similares de Curitiba e Região Metropolitana, o registro em carteira não é feito por decisão do empregador. ''O empregado tem o desejo de ter sua situação legalizada. Mais do que uma segurança, existe a necessidade de regularizar o seguro de vida e o INSS deste trabalhador'', afirma.
A empresa que tiver dúvida de como regularizar seus funcionários pode procurar a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego para receber as orientações. O empregador gastará em média entre 5% e 11% com encargos e as microempresas ainda podem pedir isenção municipal.


