A mítica montanha dos caingangues reserva segredos que não se consomem com o final da visita à colina da Serra do Cadeado. O silêncio na viagem de volta da expedição, perturbado apenas pelas perguntas que os pesquisadores vão se debruçar, foi rompido pelo aparecimento de uma personagem que pode ter vivido naquela região.
''Nóis ia pras montanha, ia pras pedra, porque igreja de índio é a montanha, a pedra é um verdadeiro santo pro índio, pro índio uma pedra ele respeita demais... Então, eles iam pras montanhas fazê... Fazê oração pedi por chuva, saúde...''
A índia Maria da Conceição Ramos Alexandre, conhecida na aldeia com o nome de Saraí, reaparece aproveitando o acaso, que cai nas mãos da antropóloga Kimiye.
No dia seguinte da subida à serra, ela consultava alguns materiais, encontrando uma entrevista realizada com a índia pela Secretaria de Cultura e Turismo de Maringá, em 1989. Na época, a mulher estaria com quase 70 anos. Descendente dos guaranis, Maria Conceição viveu na região de Ortigueira, desde 1920. Durante o governo Getúlio Vargas, o pai dela era chefe da tribo. A área foi vendida pelo governo estadual. Houve muitas mortes. Alguns índios retirados do local chegaram à região maringaense.
Ao voltarmos da montanha, a índia Maria em sua entrevista nos contou: ''Ah! Tinha bastante índio, ali tinha índio de bastante tribo. Tinha guarani, tupi, tinha cauiá, tinha coroados, tinha uma porção de tribo ali. Tudo e cada um feliz com a sua família. Depois teve uma estrada, que veio de Ponta Grossa e passou por São Jerônimo da Serra, veio prá São Roque, essa estrada passou por Londrina, veio prá Tamarana...''
Mesmo sendo improvável encontrarmos a índia, através do pesquisador Eurides Roque Oliveira, do Laboratório de Antropologia da UEM, tentamos um contato com a família. Oliveira foi ao antigo endereço de Maria Conceição, descobrindo que a índia tinha morrido e os parentes mudaram para lugar ignorado pelos vizinhos.

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