A importância do diagnóstico precoce
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O adolescente Dhiury de Paula Schutz, 18 anos, leva, hoje, uma vida normal, com algumas poucas restrições físicas. Mas, nem sempre foi assim. Aos 10 anos de idade, foi dignosticado câncer das glândulas suprarrenais e, a partir daí, teve início uma maratona de cirurgias e tratamentos agressivos para combater a doença.
''No começo, tive medo. Não queria fazer a cirurgia'', contou Schutz que, desde o diagnóstico, passou por seis intervenções: quatro para remoção de tumores e duas para colocação de catéteres. O maior tumor, no rim, pesava mais de dois quilos. Mas, apesar disso, o rapaz lembra que não apresentava nenhum sintoma, a não ser o crescimento de pelos pelo corpo e o porte físico avantajado. ''Sofri preconceito, pois eu era maior que as outras crianças e o tratamento atrasou minha escolaridade.''
Schutz faz consultas e exames no Hospital Erasto Gaertner a cada dois meses. A dura rotina para enfrentar a doença ficou para trás. O que ele planeja, agora, é concluir o ensino médio (está cursando o 1º ano) e buscar algum curso em que possa aprimorar o que mais gosta de fazer: desenhar.
A história de Schutz serve de alerta para que os pais fiquem atentos ao desenvolvimento de seus filhos. O câncer das glândulas suprarrenais ou de córtex adrenal - resultado de uma mutação no gene p53 - é raro, mas, no Paraná - não se sabe a razão -, há uma incidência entre 12 e 18 vezes maior do que a média mundial. A chance de uma criança ter a alteração genética é de 1 em 1,5 mil, se a mãe for paranaense.
No hospital, cerca de 6% das crianças atendidas são diagnosticadas com esse tipo de câncer. A chefe da Pediatria, Mara Albonei, reforça que, a qualquer sintoma de puberdade precoce, como pelos pubianos e acne, a criança deve ser levada ao pediatra. Ela lembra que nem todas as crianças com a mutação no gene p53 vão desenvolver a doença. Mas, para que o tratamento seja eficaz, o diagnóstico precoce é fundamental.
No Paraná, há um movimento para a aprovação de uma lei que torne obrigatória a realização de exame de DNA, junto com o Teste do Pezinho, para diagnóstico da alteração genética. O deputado Pedro Ivo (PT), autor do projeto de lei, acredita que a proposta seja votada já no início dos trabalhos na Assembleia Legislativa.


