A importância do brincar
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quarta-feira, 05 de outubro de 2011
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Engana-se quem pensa que brincar é coisa apenas de criança. Determinadas brincadeiras ajudam no desenvolvimento psicomotor desde a infância até a terceira idade. Entretanto, para obter esses benefícios é importante optar por brinquedos e atividades que estimulem a imaginação, a memória e desafiem a inteligência.
Com o objetivo de realizar estudos e investigações sobre a importância do brincar, a Universidade Estadual de Londrina (UEL) criou há 21 anos a Ludoteca. Trata-se de um espaço destinado a crianças de 4 a 10 anos, educadores e estudantes de Pedagogia. No local há um miniparque de diversões, jogos, livros, bonecas e até roupas e acessórios de personagens famosos de contos de fada.
''A ludoteca é um espaço livre e gratuito para as crianças brincarem. Nosso objetivo é estimular o aspecto lúdico deixando a criança explorar livremente sua imaginação ou produzir esse estímulo através da contação de histórias. Também priorizamos jogos e atividades que incentivem a interação social e o desenvolvimento cognitivo e motor por meio de jogos e determinadas brincadeiras'', afirma a coordendadora da Ludoteca, Marta Silene Ferreira Barros, que também é psicóloga, pedagoga e doutora em Educação.
Segundo ela, as crianças de hoje em dia brincam muito pouco e por isso são mais frágeis. ''Antigamente as crianças participavam muito de brincadeiras coletivas, como amarelinha, bola de gude, pula corda, entre outras. Hoje em dia há muitos brinquedos que promovem o individualismo e consumismo, como alguns jogos eletrônicos e bonecas que usam dezenas de vestidos, têm carros, maquiagem e inúmeros acessórios'', exemplifica.
Valores morais
Marta ressalta que ao brincar a criança trabalha a estruturação da personalidade, forma valores morais, aprende regras, representa papéis sociais e desenvolve a psicomotricidade (a maturidade do sistema neurológico). ''Quando uma menina está brincando de boneca ou quando um menino finge que é um policial, por exemplo, estão representando valores que veem em casa ou que idealizam vivenciar. Isso é importante para o desenvolvimento deles e as aproxima do mundo real'', explica.
A pedagoga destaca que alguns jogos vendidos em lojas ajudam as crianças a terem noções de regras, desenvolver o raciocínio lógico, enfrentar desafios e aprimorar conhecimentos. ''Existem jogos que trabalham especificamente o uso de linguagens, outros que exigem cálculos matemáticos ou ainda estimulam a memória. Os pais devem observar essas características quando forem presentar os filhos'', afirma.
Brincadeiras tradicionais também podem colaborar com o desenvolvimento da criança. ''Ao jogar bola, por exemplo, a criança tem maior noção de lateralidade, respeito, cooperação, além benefícios do esforço físico'', ressalta Marta.
Faixa etária
Ela orienta os pais a observarem a faixa etária indicada na embalagem do brinquedo e fazer pesquisa prévia sobre suas características antes da compra. ''É importante fazer essa pesquisa pois há brinquedos indicados para uma idade que não condiz com a maturidade da criança'', afirma.
Em relação aos brinquedos, ela enfatiza que não é preciso gastar muito para obter bons resultos. ''Há brinquedos clássicos que são ótimos para desenvolvimento cognitivo. O iô iô, por exemplo, trabalha a coordenação motora, o ritmo, o compasso. A perna de pau exige equilíbrio e concentração. São brinquedos eternos e eficazes'', orienta.
Independente da faixa etária, Marta lembra que da importância de incentivar o aspecto lúdico da criança e até dos adultos. ''Sonhar é importante em qualquer fase da vida. Alguns jogos promovem a interação familiar e descontração que dão forças para os adultos enfrentar desafios na vida real'', afirma.


