A professora Litsuko Kobayashi, 63 anos, passou por duas grandes provações na vida. Há 13 anos, diagnosticada com câncer de mama, submeteu-se ao doloroso tratamento e sobreviveu. Ano passado, o local de onde foi retirado o tumor infeccionou e gerou uma osteomolite (infecção nos ossos). A doença levou mais de um ano para ser tratada. ''No início levantou-se a possibilidade de ser uma metástase do câncer, mas a biopsia descartou a hipótese. Depois, os médicos concluíram que foi uma infecção causada pelo tratamento com cobalto'', revelou.
A doença obrigou Litsuko a passar 44 dias no hospital, tomando antibióticos para conter a ferida que não cicatrizava. Por fim, ela submeteu-se a uma cirurgia. A previsão era que o procedimento durasse oito horas. ''Mas os médicos terminaram em uma hora e meia'', contou a senhora, que se apegou às orações antes de ir para a sala de cirurgia e garante ter sentido a presença divina mostrando que ainda não era a hora de deixar a Terra.
''Entendi que não era a minha hora, que eu tinha uma missão a cumprir aqui'', afirmou ela, que fez questão de voltar para as salas de aulas no colégio da Zona Norte, onde dá aulas de matemática, assim que teve alta, em outubro deste ano. ''Passei a entender melhor as crianças e a agir com mais tolerância. Acho que minha missão é o Magistério'', acredita.
Sobre a vida após o tratamento, a professora garante que passou a prestar mais atenção nas pequenas coisas da vida. ''Fiquei um ano sem poder tomar banho. Imagine minha felicidade quando finalmente pude entrar embaixo de um chuveiro.'' Comovida também com as manifestações de apoio recebidas de amigos, familiares e colegas, ela ressaltou o agradecimento profundo que sente por todas essas pessoas. ''Muita gente orou por mim'', disse. Os médicos Antônio Tales Petrus, Eduardo Sahão e Edson Takaki, e o enfermeiro Gilberto Bey também são alvo da gratidão de Litsuko. ''Foi Deus quem os colocou no meu caminho.''(C.A)

mockup