'A ideia é que a música seja para todos'
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Quem passa pela Rua Pará, entre as avenidas Rio de Janeiro e São Paulo (Área Central de Londrina) percebe algo diferente no Colégio Mãe de Deus. Do lado de dentro é possível ouvir uma mistura de sons, música de todos os tipos, alunos ensaiando e afinando instrumentos pelas escadarias e áreas comuns do colégio. Ao andar pelos corredores os sons se alternam. Em algumas salas é possível ouvir corais em aquecimento, em outras ouve-se os sons emitidos pelos mais variados instrumentos se sopro, cordas e percussão.
O Festival de Música de Londrina é de todas as músicas, mas andando pelo colégio percebe-se que é também de todas as cores, todas as idades e todas as pessoas, independente das limitações individuais. Uma das oficinas ministradas durante o festival é direcionada para professores que ensinam música para alunos com deficiência. De acordo com a mestre em artes na área de concentração música e educadora musical do Instituto de Cegos ''Padre Chico', em São Paulo, Isabel Bertevelli, a ideia é que a música seja acessível a todos. E isto é possível, afirma, desde que os professores sejam capacitados e alguns instrumentos sejam adaptados conforme a necessidade de cada aluno.
''Todas as pessoas têm suas dificuldades, não é a deficiência que limita o aprendizado do aluno'', disse. Conforme Isabel, antes de iniciar as aulas é necessário identificar as características da deficiência e as possibilidades que o aluno possui para que sejam trabalhadas adaptações que permitam o aprendizado. ''Com os deficientes visuais, utilizamos métodos de ensino diferenciados e o aluno aprende a ler a partitura em braile'', explicou.
Ela disse que durante as aulas não apenas o instrumento é trabalhado. ''Os alunos passam pelo canto, dança, atividades rítmicas para então chegar à partitura'', destacou. A professora afirmou que aqueles que nasceram cegos têm uma resposta musical mais rápida, já que possuem audição e percepção mais apuradas.
Com aqueles que possuem atraso intelectual a professora explica que os métodos abordam a estimulação precoce dos movimentos. ''Algumas vezes a criança não vira a cabeça quando escuta um som, nós incentivamos este comportamento e ensinamos a identificar e classificar diferentes sons'', afirmou. Ela destaca que todos os alunos, independente da limitação individual, podem tocar os instrumentos. ''A música abrange também o aspecto social, coletivo, de percepção, abre horizontes e precisa ser acessível a todos. A ideia é que a música seja para todos.''
Os materiais usados em sala de aula são adaptados conforme a necessidade de cada aluno. ''Com cegos, usamos partitura em braile, com crianças que possuem atraso intelectual usamos figuras, relevo, objetos que possam auxiliar na compreensão do conteúdo. Fazemos tudo para adequar a música para o aluno que é especial'', disse. ''A ideia é que a criança possa participar no concreto, adaptamos o ensino para que fique mais interessante'', completou.


