Até algum tempo, marmita era vista como a forma de alimentação dos operários ou boias-frias, que não tinham como ir almoçar em casa ou dinheiro para frequentar restaurantes. Em alguns países, como no Japão, os bentôs, como são chamadas as marmitas lá, fazem parte da cultura do país e são verdadeiras obras de arte, principalmente as infantis, que trazem a comida em forma de personagens e animais. O objetivo é estimular a alimentação saudável e toda dona de casa que se preze deve saber fazer um bentô primoroso e atraente.
Aqui no Brasil vem crescendo o número de pessoas que, seja por motivos de saúde ou para manter a boa forma, se preocupam em levar a própria refeição para o local de trabalho. A nutricionista funcional Silvia Regina Serra, de Londrina, explica que quem quer optar por essa forma de alimentação deve prestar atenção em quais alimentos levar e na forma de conservação. O ideal seria preparar os alimentos na manhã, antes de levar para o trabalho, mas como isso é mais difícil, estes devem ser guardados na geladeira, em vasilhas separadas - nunca nas panelas, na noite anterior.
''Na manhã seguinte pode-se colocar tudo na mesma vasilha, lembrando que saladas e legumes crus devem ser levados em um potinho separado. As saladas devem ser temperadas apenas na hora de se alimentar'', explica.
Na hora de esquentar os alimentos, as vasilhas de vidro são bem melhores do que as de plástico. ''Principalmente os mais maleáveis soltam mais toxinas e podem causar câncer. Eu não recomendo esquentar em micro-ondas de forma alguma, mas se precisar, use as vasilhas de vidro. O melhor seria esquentar no fogão'', diz.
Segundo ela, a grande vantagem da marmita em termos nutricionais é fugir da tentação de comer alimentos que vão acabar prejudicando a saúde, como lanches e frituras, além de saber a procedência do alimento.
Molhos brancos, queijos, molhos de tomate caseiros, se não forem bem apurados são contraindicados, porque podem azedar. A conservação do alimento até a hora da refeição é importantíssima e a marmita deve ser deixada na geladeira até a hora do almoço, segundo ela. ''Se não houver essa possibilidade, deve-se providenciar uma sacola térmica ou um isopor e colocar aquelas placas de gel congeladas, ou ainda improvisar com gelo''.
Adepta
A assistente social Josiani Nogueira é adepta da marmita há dois anos. Antes, ela almoçava em restaurantes ou pedia a comida no trabalho, mas reclama que se sentia ''pesada''. ''Dependendo do lugar eles colocam muito tempero, a digestão fica prejudicada. A aparência das marmitas prontas também desagradava, pois geralmente a comida vem toda misturada, nem todos colocam a salada separada'', explica.
A saúde também foi outro fator que pesou na escolha. Como Josiane tinha pedras na vesícula, determinados alimentos faziam mal e a saída foi começar a trazer comida de casa. ''Agora eu escolho o que comer, já sei o que fica melhor trazer, faço a salada do meu jeito'', justifica.

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