A história que os prédios antigos contam
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Michelle Aligleri<BR> Reportagem Local 
''Os prédios antigos de Londrina têm história para contar.'' A frase é da arquiteta e urbanista Elisa Zanon, estudiosa da arquitetura dos prédios da cidade. Segundo ela, Londrina não possui estilo arquitetônico único, mas uma mistura que mostra as épocas e registram o desenvolvimento da cidade.
Na década de 1930, por exemplo, a maioria das construções era de madeira. Atualmente existem poucos exemplares. Apesar disso, o Calçadão - Avenida Paraná - já teve muitos estabelecimentos desta época. ''Houve uma especulação imobiliária muito grande naquele local, por isso diversas edificações foram destruídas e deram lugar a outras dos anos 1940, que foi quando começou a utilização da alvenaria''. Para Elisa, uma das ruas que mais têm a mostrar é a Sergipe, mas as fachadas estão ''escondidas'' pelos painéis e propagandas das lojas.
Ela esclareceu que uma das características da arquitetura da década de 1940 são os dois pavimentos, com a parte comercial no térreo e uma residência ou algum escritório de prestação de serviço no piso superior.
''Observamos também que havia muita preocupação com as fachadas. Eram rebuscadas, com detalhes e davam a impressão que tinham telhado plano, com laje, que na época era uma tecnologia moderna, mas na verdade o telhado tem uma cobertura normal, de telhas, como nas casas de madeira.''
Ainda nesta época foram feitas algumas obras no estilo Art Déco, como as fachadas que acompanham a curvatura da esquina. ''Um lugar que mostra esta característica é na Rua Souza Naves com a Alameda Miguel Blassi, onde atualmente há um banco, mas na década de 1940 funcionava as Casas Fuganti'', explicou.
Na década de 1950 começaram as construções modernistas. A produção de café deu condições para que fossem contratados arquitetos famosos. Londrina tem vários prédios de autoria do arquiteto Vilanova Artigas. Elisa disse que nesta época surgiram os primeiros arranha-céus, um deles era o Hotel Sahão, com seus oito andares.
Já nos anos 1960 foram construídos prédios mais altos, como o Centro Comercial e o Edifício América, com o ''relojão'', um dos símbolos da cidade. ''O prédio da atual Secretaria Municipal de Cultura e a Concha Acústica são da década de 1950 e eram imensos para a época, mas quando ficaram prontos os três edifícios que compõe o Centro Comercial foi possível observar o quanto Londrina ainda poderia crescer. Eram muito maiores do que as pessoas poderiam imaginar e foram capazes de deixar a Concha bem pequenininha'', explicou Elisa.
A partir desta época foram construídos muitos prédios na cidade e atualmente Londrina é considerada uma das cidades mais verticais do mundo.


