'A hierarquia é levado a sério'
O retratista da Polícia Científica do Paraná, Jorge Luiz Werbitzki, ressaltou que não adianta um preso se passar por quem não é por meio das tatuagens para tentar obter vantagens no presídio. "Se os outros detentos descobrirem que a tatuagem é falsa, ela é retirada à força, com materiais cortantes que eles tiverem à sua disposição, pois a hierarquia na cadeia é algo levado muito a sério entre eles", revelou. Ele acrescentou que essas tatuagens podem até determinar quem pode ser um refém em uma eventual rebelião.
Segundo Werbitzki, autores de alguns crimes são considerados "paraquedistas", como aqueles que cometeram um crime por vingança por estuprarem a filha ou a esposa e que de certa forma são respeitadas entre os presos. Outros que acabam não se enquadrando em nenhum grupo são os "piolhos", que cometem crimes considerados idiotas e que acabam indo e voltando da prisão.
O escritor informa também que existem modelos de tatuagem mais elaborados, como os realizados pela máfia japonesa ou chinesa, com um estilo diferente. "Essas tatuagens estão mais presentes na região da fronteira, principalmente em Foz do Iguaçu", afirmou.
A obra sobre tatuagens é a segunda de Werbitzki, que já lançou um livro em 2000 chamado "Representação facial humana", sobre retratos falados. Ele informou que pretende visitar a Escola Penitenciária de São Paulo, onde existe um acervo histórico com 40 mil tatuagens, com fotos tiradas desde 1920. A pesquisa de Werbitzki foi realizada com o auxílio de ex-presidiários regenerados e de presos que trocam informações por benefícios, como um maço de cigarros.
A pesquisa também contempla outros códigos, como as conversas realizadas por espelhos, isqueiros, roupas ou sons, onde cada letra pode ser transformada em números. Ele ofereceu seu arquivo para exposições caso haja interesse de alguma entidade, empresa ou instituição. Os interessados devem entrar em contato com ele no horário comercial pelo telefone (41) 3281-5500. (V.O.)





